segunda-feira, 29 de junho de 2009

Lição 01

A Primeira carta de João

Texto Áureo: II Tm. 3.16

Leitura Bíblica em Classe: I Jo. 1.1-4

Objetivo:
Mostrar que essa carta, divinamente inspirada, é aplicável a todo leitor que deseja ter sua vida no centro da vontade de Deus.

Introdução:
Ao longo deste trimestre estudaremos a I Carta de João.
Essa é uma das cartas mais significativas do Novo Testamento.
Caracteriza-se por uma estrutura bastante distinta em relação as demais.
O conteúdo é contundente na argumentação contra os falsos mestres.
Seu estilo e teologia se coadunam com o Evangelho do mesmo autor.
Nas aulas dos próximos três meses teremos as seguintes lições:
1) a Primeira Carta de João;
2) Jesus, o Filho Eterno de Deus;
3) Jesus, a Luz do Crente;
4) Jesus, o Redentor e Perdoador;
5) A força do amor cristão;
6) o sistema de viver do mundo;
7) a chegada do Anticristo;
8) A nossa Eterna salvação;
9) O crente e as bênçãos da salvação;
10) os falsos profetas;
11) o amor a Deus e ao próximo;
12) O testemunho interior do crente; e
13) A segurança em Cristo.
Na lição de hoje, trataremos a respeito da autoria dessa carta, do seu propósito e apresentaremos uma visão panorâmica de sua divisão.

1. A Autoria da carta:
O autor de I João não se identifica na Carta.
Ao que tudo indica seus “filhinhos” os reconheceria sem problemas.
Uma pista nos é dada em II e III João nas quais o autor se apresenta como o “ancião”.
Mesmo o evangelho, do mesmo autor de I João, diz ser “o discípulo a quem Jesus amava” (Jo. 21.20; 13.23).
Com base nessas passagens do evangelho e a semelhanças contundentes, atribui-se a autoria da Carta a João, o discípulo, filho de Zebedeu (Mt. 4.21), que a teria escrito entre os anos 85 a 95 d. C.
Existem evidências externas da pena de Irineu e do Cânon Muratoriano que atribuem e assumem que I João e o evangelho são do mesmo autor.
O João, apóstolo de Cristo e autor dessa epístola, era, como seu pai, pescador de Betsaida, na Galiléia, e trabalhava no lago de Genezaré (Mt. 4.18,19).
Sua família parece ter vivido em condições favoráveis, já que seu pai tinha empregados (Mc. 1.20), a sua mãe era uma das mulheres piedosas que seguiam a Jesus e que desde a Galiléia servia ao Senhor com seus bens (Mt. 27.26).
João, inicialmente, seguia João Batista, e depois, com seu irmão André, passou a seguir a Cristo (Jo. 1.35-40).
A chamada de João e de seus irmãos está registrada em Mt. 4.21,22 e em Mc. 1.19,20.
Tratava-se de um dos doze apóstolos (Mt. 10.2).
Jesus deu a ele e ao seu irmão o nome de Boanerges (Mc. 3.17), talvez por causa do seu temperamento impulsivo (Mc. 9.38,39; Lc. 9.51-56) e pelas ambições pessoais (Mc. 10.35-40).
Ao final, ele foi modificado pelo amor de Jesus e passou a ser denominado de “o discípulo a quem Jesus amava” (Jo. 21.20).
Como os demais discípulos, João se distanciou do Mestre após a prisão, mas depois o seguiu até o palácio do sumo sacerdote (Jo. 18.15) e estava presente no Calvário (Jo. 19.26,27).
Em companhia de Pedro visitou o túmulo vazio de Jesus (Jô. 202-8) e reconheceu o Senhor na pesca milagrosa (Jo. 21.7).
Para a tradição eclesiástica, João teria ficado em Jerusalém até a morte de Maria, a mãe de Jesus, que teria acontecido por volta do ano 48 d. C. e que depois de ter deixado Paulo na Ásia Menor, passou a residir em Éfeso e criado diversas igrejas naquela região.
Durante a perseguição de Domiciano, foi desterrado para a ilha de Patmos, no mar Egeu, onde teria escrito o Apocalipse.
Anos depois teria sido libertado e retornado a Éfeso onde permaneceu até sua morte, que teria ocorrido por volta do ano 100 d. C.
De acordo com Jerônimo, João pela sua idade avançada, não mais podia pregar, por isso, pedia que o levassem ao templo e então contentava-se em exortar a igreja dizendo “Filhinhos, amai-vos uns aos outros”.

2. O Propósito da carta:
O propósito da Carta é apresentado por João no capítulo 5 e versículo 13.
Ele procurar reforçar e consolidar o Evangelho, assegurando aos crentes que eles têm vida eterna.
A Carta é também uma apologia contra as falsas doutrinas que estavam adentrando a igreja.
Os Gnósticos, um ensinamento esotérico dos tempos primitivos da igreja, questionavam a encarnação do Verbo.
Eles negavam também que Jesus fosse o Filho de Deus.
A esses João denomina de enganadores e anticristos (2.22; 4.15; 5.1).
Eles também negavam a humanidade de Cristo, opondo-se, assim, à comunicação de Deus com os homens através do Logos que se fez carne.
João combate com veemência essas falsas doutrinas ao longo de sua epístola universal (4.3), declara, logo no início, que ele pôde tocar o corpo de Jesus (1.1).
Como se isso não fosse o bastante, defendiam ainda a liberdade para pecar, argumentando que o pecado não atingiria a alma, apenas o corpo.
O Apóstolo refuta esse ensinamento imoral ao declarar que todo pecado é iniqüidade (3.4) e que é na comunhão com Deus que o cristão é purificado, sendo reconhecido como filho de Deus (2.5; 3.8-10; 4.13; 5.11).
A Epístola destaca a natureza da comunhão com Deus (1.3), pois Ele é luz (1.5), portanto, o homem deve ser purificado e remido (1.7; 2.2) e também santo (2.3-7).
Como Deus é amor, devemos também amar-nos uns aos outros (2.10).
Como Deus é justo, os Seus filhos também devem ser (2.29-3.3).
Cristo veio para tirar o pecado do mundo e nEle não há pecado, portanto, devemos ser santos (3.4-10).
O amor sacrificial dEle deve ser o modelo do amor cristão em relação ao próximo (3.11-18).
O amor é parte essencial da natureza de Deus (4.7,8).

3. Panorama geral da carta:
A Carta de I João é uma das mais difíceis de esboçar do Novo Testamento.
Alguns estudiosos argumentam, com bastante sentido, que João, nessa Epístola, não tem qualquer intenção de seguir um planejamento lógico.
Mesmo assim, tentaremos, nas próximas linhas, traçar um panorama geral da Carta:
1) A base da vida cristã (1.1-5);
2) O significado do andar na luz (1.5-2.2);
3) Resultados da comunhão com o Pai (2.3-3.28): obediência (2.3-5), semelhança com Cristo (2.6), amor (2.7-11), separação (2.12-17), ortodoxia (2.18-28);
3) Justiça sinal de filiação (2.39-3.24): a realidade da filiação (2.29-3.3), a possibilidade da pureza (3.4-10), a essência da justiça (3.11-18), os resultados da justiça (3.19-24);
4) A necessidade da prática da discriminação e do discernimento espiritual (4.1-6);
5) o amor, prova da filiação (4.7-21): origem (4.7,8), significado (4.9,10), inspiração (4.11-16), atividade (4.17-21);
6) grandes certezas do crente (5.1-20): a vitória sobre o mundo (5.1-4), o caráter final de Jesus Cristo (5.5-12), a realidade da salvação (5.13), da oração respondida (5.18-20);
7) Admoestação contra a idolatria (5.21).

Conclusão:
Essa Primeira Carta de João foi escrita para uma comunidade cristã que enfrentava a ameaça Gnóstica do Século I da Era Cristã.
Ao tratar a respeito desse tema, o Apóstolo defende o valor da vida coerente, e principalmente, em comunhão com Deus e em amor entre os irmãos.
O propósito central da Carta pode ser resumido no seguinte versículo: “Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus” (I Jo. 5.13).


Dc. Luiz Carlos

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Lição 13

Amor, A Virtude Suprema

Texto Áureo: Rm. 5.5

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 13.1-13

Objetivo:
Mostrar que o amor de Deus em nós não é um dom, mas o fruto do Espírito expresso na vida do verdadeiro cristão.

Introdução:
A igreja de Corinto, conforme estudamos na primeira lição deste trimestre, era bastante fervorosa, isto é, tinha muitos dons.
Por outro lado, era carente de espiritualidade, pois lhe faltava a demonstração do fruto do Espírito.
Nessa última lição do trimestre, estudaremos, com base em I Co. 13, o amor, esse que é o fundamento do fruto do Espírito, o qual também tem primazia na lista das virtudes espirituais apresentadas por Paulo em Gl. 5.22.

1. Amor, Significados e Definições:
No grego do Novo Testamento, a palavra amor é “ágape”, cujo significado primário vem do amor puro e verdadeiro de Deus em relação ao Seu Filho (Jo.17.26), ao seu povo (Gl. 6.10) e à humanidade perdida que se rebelou contra Deus (Jo. 3.16; Rm. 5.8).
A Bíblia declara que a natureza de Deus é o amor (I Jo. 4.8,16).
Em Hb. 12.6, sabemos que, mesmo debaixo da correção divina, somos alvo do Seu amor.
O amor a Deus é o fundamento da obediência (Jo. 14.21).
O fruto do Espírito, conforme aponta Paulo em Gl. 5.22, é o amor e é na manifestação desse amor sacrificial que o mundo vê Cristo é nós (II Co. 5.14).
Ainda no grego, diferentemente do português, existem verbos distintos para descrever os diferentes tipos de amores. O verbo “agapao” tem em Deus sua demonstração máxima, na verdade, o próprio Deus é amor (I JO. 4.9-10).
Por isso, esse Deus age com amor em relação ao homem perdido (Jo. 3.16; I Jo. 3.1,16).
Em resposta ao amor de Deus, o homem deve também amá-lo, bem como ao próximo (Mc. 12.30-33; Mt. 19.19; 22.39; Mc. 12.31; Rm. 13.8; I Jô. 3.11,23), especialmente aos domésticos na fé (Gl. 5.6; I Jô. 2.10).
Os inimigos também entram na lista daqueles que devem ser amados por aqueles que foram alcançados pelo amor de Deus (Mt. 5.44; Lc. 6.35).
O verbo “phileo” é usado para descrever a afeição nos relacionamentos pessoais, mais próximo do sentido de “amizade” (Jo. 11.3, 36; Tt. 3.15) Uma das passagens mais conhecidas do Novo Testamento, por fazer a distinção entre os verbos “phileo” e “ágape” e se encontra em Jo. 21.15-27, quando Cristo pergunta a Pedro se esse O ama.

2. A Excelência do Amor Cristão em I Co. 13:
No capítulo 13, Paulo faz um parêntese na discussão a respeito dos dons espirituais a fim de tratar sobre o amor cristão e coloca esse como um caminho mais excelente.
A intenção do apóstolo é mostrar aos crentes de Corinto, que supervalorizavam os dons espirituais, a importância de equilibrar o uso dos dons com a frutificação espiritual demonstrada em amor.
A melhor linguagem do céu ou da terra, sem amor, é apenas barulho (v. 1), por isso, quem tem um dom espiritual, não pode se arvorar como se fosse melhor do que os outros e isso, com certeza, estava acontecendo na igreja daquela cidade.
Por ser paciente, o amor tem uma capacidade inerente para suportar, ao invés de querer afirmar-se, o amor busca, prioritariamente, dar-se (v. 4).
O amor não imputa o mal ao outro, sequer o leva em conta, não abriga ressentimentos pelas ofensas (v. 5).
Alegra-se com a verdade, na verdade do evangelho (Jo. 5.56), que está em Jesus (v. 6).
Tudo suporta, não fraqueja, não se deixa vencer em todas as dificuldades (v. 7).
Os dons espirituais acabarão, no fim, quando Deus tiver cumprido o Seu plano (v. 9,10), mas o amor.
A fé é importante, bem como a esperança, mas nada supera o amor (v. 13).

3. A Supremacia do amor Cristão:
O amor cristão é superior aos dons tanto pela qualidade quanto pela perenidade.
Os dons cessarão, são apenas para esta vida, estarão disponíveis até Jesus voltar, o amor, no entanto, transcende ao tempo, é eterno.
Por esse motivo, a prática dos dons espirituais na igreja não compensam a falta de amor.
Os dons espirituais sem amor para nada servem.
O amor cristão tem algumas características que não podem ser desprezadas:
1) é paciente e benigno – tem uma capacidade infinita para suportar as adversidades;
2) não se aborrece com o sucesso dos outros, não se ufana como um balão cheio de vento, mas sem conteúdo; não é egoísta, não busca apenas seus interesses;
3) não se ressente do mal – está sempre disposta a pensar o melhor das outras pessoas e não lhes imputa o mal;
4) tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta – significa que você abre mão de um direito que tem a favor do seu irmão, pois o amor perdoa e esquece a ofensa do outro.

Conclusão:
O Amor é eterno.
O temo grego é “piptei” e significa literalmente que ele não “falha” ou “entra em colapso”.
O amor jamais cede às pressões, tem o poder de ultrapassar o tempo, alcançar a eternidade.
É no amor que começamos a conhecer a eternidade de Deus.
Quando amamos, estamos desfrutando já o que ainda está reservado para nós na eternidade.
O amor é a caminho para a maturidade, é o cumprimento da lei, é o maior de todos os mandamentos, é a apologética contundente.
Uma igreja sem amor está adoecida e precisa urgentemente de ser curada por Aquele que é Amor e que levou esse amor ao extremo sacrificando-se pelos pecadores.
Ele nos amou de uma maneira tal que enviou Seu Filho em sacrifício pelos pecados (Jo. 3.16), nós, em resposta a esse amor, devemos também amar os irmãos e nos sacrificar-nos por eles (I Jô. 3.16), mas esse é um assunto que aprofundaremos no próximo trimestre.


Dc. Luiz Carlos

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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Lição 12

Ajuda aos Necessitados

Texto Áureo: I Co. 9.7

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 9.6-12

Objetivo:
Mostrar que a ajuda aos necessitados é um grande privilégio e responsabilidade que Deus concede a cada crente.

Introdução:
Paulo instrui a igreja de Corinto em relação ao cuidado com os necessitados.
Na aula de hoje, veremos, a princípio, que a contribuição é uma doutrina genuinamente bíblica.
Em seguida, aprofundaremos a questão da contribuição em I Co. 16. Ao final, apresentaremos algumas sugestões para contribuição cristã para os necessitados.

1. A Contribuição Bíblica:
A palavra grega “koinonia” significa não apenas “comunhão”, ela abrange também o sentido de “contribuição”, da “partilha de bens”.
Desde o princípio da igreja, no capítulo 6 de Atos, está registrado que havia necessidade de cuidar das viúvas da igreja de Jerusalém.
Compreendemos, assim, que esse princípio de partilha de bens era bastante comum nos primórdios da igreja (At. 2.44,45, 4.34,35).
Essa, entretanto, não era uma prática apenas dos crentes de Jerusalém.
Os cristãos de Antioquia compartilharam suas bênçãos materiais com os de Jerusalém (At; 11.27-30).
Por causa da perseguição romana, os crentes judeus ficaram em situação de pobreza extrema.
Isso mostra que nem sempre a prosperidade é resultante de pecado ou desobediência à Palavra de Deus.
Ciente dessa realidade, Paulo mostrou preocupação com os crentes necessitados (O Co. 16.1; II Co. 9.12; At. 24.17; Rm. 15.25,26; II Co. 8.1).
A contribuição aos necessitados era, sobretudo, um ato de amor e prova de genuína espiritualidade.
Quando as contribuições partiam de igrejas gentílicas, era um sinal evidente de fraternidade, principalmente para alguns cristãos judeus que tratavam os gentios com desdém.
Por isso, o apóstolo mostra interesse que os próprios contribuintes entregassem pessoalmente as ofertas aos irmãos necessitados (I Co. 16.3,4).

2. Princípios para a contribuição Cristã em I Co. 16.:
As contribuições não eram apenas de uma igreja, mas de todas aquelas que haviam sido fundadas por Paulo (II Co. 8.1; 9.2).
Para tanto, a cada primeiro dia da semana – com certa regularidade - cada um dos crentes – individualmente - e independentemente da condição financeira, deveria se dispor a contribuir, de acordo com as possibilidades, e esse dinheiro coletado deveria ser bem administrado (v.2).
A contribuição para os irmãos necessitados deveria ser feita com liberalidade, pois o que semeia pouco também pouco ceifará (II Co. 9.6; Gl. 6.7).
Mas para que seja válida, a contribuição precisa ser feita com alegria, “não com tristeza ou por necessidade, porque Deus ama ao que dá com alegria” (II Co. 9.7).
Ninguém deva ser constrangido a doar, é estabelecido, nesse ensinamento, o princípio da generosidade, motivado pelo Espírito Santo (Rm. 12.8).
Aqueles que assim o fazem demonstram confiança no Senhor, cientes que Ele “é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra” (II Co. 9.8; Rm. 8.32).
Um dos princípios apresentados por Paulo nessa coleta é o da lisura.
Por isso Paulo queria que os próprios irmãos entregassem a oferta aos crentes de Jerusalém, ainda que ele tivesse interesse de acompanhá-los, o que veio a acontecer (Rm. 15.25; II Co. 1.16).
Ciente da tentação que o dinheiro pode causar, e a fim de evitar falatórios, não apenas uma pessoa deveria fazer a entrega da contribuição, um grupo de pessoas confiáveis (v. 3).

3. Recomendações gerais quanto a contribuição:
Os cristãos devem doar não apenas aqueles que fazem parte da igreja.
Os de fora também precisam ser alvo da liberalidade eclesiástica (16.1).
Não é fácil ser generoso com alguém que nunca vimos antes.
Ainda que alguns digam que os olhos não vêem o que o coração não sente, a Bíblia ensina que devemos ser graciosos também com aqueles que estão distantes e que desconhecemos, mais que isso, que são nossos inimigos.
É evidente que, de acordo com o ensinamento bíblico, os membros da casa devam ter prioridade (I Tm. 5.8). Devemos fazer o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé (Gl. 6.10).
Aqueles que precisam devam ser claros em suas petições, e, principalmente, éticos.
Os pastores, desde que com fins apropriados, e principalmente, bíblicos, não devam ter vergonha de pedir dinheiro à igreja.
E essa, por sua vez, precisa saber que mais bem-aventurado é dar que receber (At. 20.35).
Uma igreja que tem recursos financeiros tem a responsabilidade de ajudar os pobres e reconhecer que tal ato é adoração.
Faz parte do culto divino o momento da contribuição, seja com os dízimos, ofertas e contribuições aos necessitados.
Quem recebe deve demonstrar gratidão a Deus e aqueles que contribuíram (Fp. 4.18).
Muitos vêem com os cestos vazios, mas esquecem de voltar para agradecer.
A contribuição financeira não deve ser casual, mas sistemática e proporcional ao ganho individual.
Quem administra as contribuições deva ser transparente a fim de não causar escândalo e para não perder a credibilidade.

Conclusão:
Há uma estória interessante que ilustra a condição de muitos crentes da atualidade.
Conta-se que um mendigo passou na residência de três pessoas e pediu-lhes ajuda.
A primeira era espírita, a segunda, católica, e a terceira, evangélica.
Cada uma dessas delas tinha apenas um pão e deu uma resposta diferente ao mendigo.
Quando o mendigo pediu algo para comer, o espírita, por acreditar na evolução do espírito pelas caridades, deu todo o pão e ficou com fome.
Ao chegar à casa do católico, por via das dúvidas, já que não tinha certeza da salvação se pela fé ou pelas obras, resolveu dividir o pão ao meio, comeu a metade e deu a outra ao mendigo.
Ao chegar à casa do evangélico, o mendigo nada recebeu, o irmão disse que “iria orar por ele”, pois só tinha um pão e iria comê-lo.
Afinal, pensou ele, sou salvo pela graça, não pelas obras, conforme está escrito em Ef. 2.8,9.
O irmão estava parcialmente correto, pois, de fato, somos salvos pela graça, por meio da fé.
Ele, porém, esqueceu do versículo 10, que diz que fomos criados para as boas obras. Em suma, não fazemos boas obras para sermos salvos, mas porque já somos salvos.


Dc. Luiz Carlos

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terça-feira, 9 de junho de 2009

Lição 11

A Ressurreição de Cristo


Texto Áureo: I Co. 15.20

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 15.1-10

Objetivo:
Mostrar que sem a doutrina da ressurreição de Cristo, o cristianismo perde sua razão de ser.

Introdução:
Os crentes de Corinto deturparam a doutrina da ressurreição de Cristo.
A fim de dirimir algumas questões e solucionar os problemas, Paulo apresenta algumas recomendações em sua I Epístola. Com base em tais explicações, destacaremos, na lição de hoje:
1) a doutrina da ressurreição bíblica;
2) o ensinamento paulino em I Co. 15 sobre a ressurreição; e
3) a igreja e a ressurreição.
Ao final da aula, esperamos que os alunos sejam motivados a defender e a viver com base nessa agradável verdade bíblica, cujas evidências se encontram na Bíblia.

1. A Doutrina Bíblica da Ressurreição:
Não existe uma palavra hebraica para “ressurreição” no Antigo Testamento e há muito pouco que explicitamente a descreva de modo que possamos formular uma doutrina da ressurreição nessa parte da Bíblia.
A passagem mais clara que trata a esse respeito se encontra em Dn. 12.2, onde Daniel profetiza a respeito do tempo no qual “muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno”.
Devido a pouca quantidade de informações a respeito da ressurreição no Antigo Testamento, os Saduceus, no Novo Testamento, que acreditavam apenas no Pentateuco e que não aceitavam os livros proféticos, negavam essa doutrina (Mt. 22.23; At. 23.8).
Em I Rs. 17.17-23; II Rs. 4.19-37; 13.21, Deus mostra o Seu grandioso poder para ressuscitar os mortos, o que é reforçado em Ez. 37.1-14.
No Novo Testamento, esse ensinamento bíblico está mais amplamente explicitado.
O substantivo “anastasis” ocorre 42 vezes e significa “ressurreição”.
Ao longo do NT, essa palavra é repetidas vezes utilizada para explicitar o momento em que Cristo virá para ressuscitar os crentes (Jo. 11.24; At. 24.15; Hb. 6.2).
Essa ressurreição é superior àquela que costumava ser esperada pelos antigos crentes (Hb. 11.35) porque receberão corpos glorificados, que não estarão sujeitos às imperfeições como o corpo presente (Fp. 3.10-11,20-21).
Os gregos, por acreditarem que apenas a alma era imortal, zombaram, de Paulo quando esse pregou a respeito da ressurreição do Corpo (At. 17.32).
Muitas pessoas pensam do mesmo modo nos dias atuais, mas o Senhor revelou claramente que haverá um dia no qual os mortos ressuscitarão para a vida ou morte eterna (Jo. 5.29).

2. O Ensino sobre a Ressurreição em I Co 15.
A ressurreição é o último tema abordado por Paulo nessa Epístola.
Algumas pessoas na Igreja de Corinto negavam a ressurreição (v. 12).
O Apóstolo mostra que esse é um grande equívoco, pois essa é parte integrante da fé cristã (v. 2).
Cristo ressuscitou e esse evento é o fundamento da esperança (v. 4).
Após a ressurreição, o Senhor apareceu a Cefas (Lc. 24.34. Mc. 16.7), aos demais apóstolos (Lc. 24.36. Jo. 20.19) e a mais de quinhentos irmãos (Mt. 28.16).
Essas testemunham são apresentadas por Paulo a fim de mostrar a veracidade de tal relato.
Se alguém não quer aceitar a ressurreição de Cristo como uma verdade, é vã a sua crença (v. 14), é sem conteúdo, sem substância, e mais que isso, atribui-se aos apóstolos uma mentira (v. 15).
Se Cristo não ressuscitou, ou mais precisamente, se não acreditarmos em tal fato, ainda continuamos nos nossos pecados (V. 17).
A ressurreição de Cristo trouxe algumas conseqüências para o cristão.
A primeira delas é que a ressurreição do Senhor implica na ressurreição dos crentes, pois Ele é as primícias (v. 20-23).
A morte, por sua vez, o último inimigo (v. 26), será destituída do seu poder.
Nos dias atuais, ainda que o corpo seja semeado, chegará o tempo no qual esse será vivificado.
Mas essa semente não tem vida em si mesmo, é Deus quem a dá (v. 36).
Os corpos que ressuscitarão não serão terrestres, antes espirituais (v. 39-41), portanto, incorruptíveis (v. 42,43).
E esses corpos espirituais estão intimamente relacionados ao espírito humano, do mesmo modo como o seu corpo atual o está com a vida terrena.
Isso acontecerá em momento exato determinado por Deus (I Ts. 4.13-17), no qual os vivos serão transladados e os mortos ressuscitarão, esse é o mistério de Deus revelado à igreja (v. 50,52).
Justamente nessa ocasião a morte será tragada na vitória (v. 54,55).
A revelação de tal mistério deverá servir de encorajamento para que estejamos sempre atuantes na obra do Senhor, sabendo que o trabalho que aqui desempenhamos não é vão (v. 58).

3. Evidências da Ressurreição de Cristo:
Cristo ressuscitou dentre os mortos e, graças ao testemunho bíblico, temos evidenciais cabais de tal acontecimento.
Inicialmente, destacamos que sua execução foi pública, a fim de que todos atestassem sua morte.
Ele foi açoitado e executado, juntamente com dois criminosos, no subúrbio de Jerusalém.
Como já se aproximava o Sábado, os soldados romanos tentaram apressar a morte dos crucificados, quebrando-lhes as pernas, mas isso não ocorreu com Jesus, pois este já havia morrido.
Como Jesus havia antecipado sua ressurreição, os oficiais romanos trataram de colocar seguranças no túmulo, a fim de que o corpo de Jesus não fosse roubado.
Esses soldados tinham motivos para permaneceram alerta, pois, caso o corpo fosse levado, teriam que pagam com a própria vida.
Paradoxalmente, após a ressurreição de Cristo, esse argumento foi usado pelos líderes religiosos contra o testemunho dos discípulos.
Mesmo com a guarda do túmulo, esse foi encontrado vazio.
O testemunho dos discípulos precisa ser ouvido, e muitos disseram ter visto Cristo ressuscitado, ainda em 55 d.C., informações que naquela época poderiam ser refutadas.
Pedro, os doze apóstolos e mais de quinhentos irmãos, Tiago e Paulo (I Co. 15.5-8; At. 1.3).
A vida dos apóstolos, devido a esse acontecimento sem precedentes, foi mudada radicalmente (At. 5.29), homens que outrora temiam as autoridades políticas e religiosas, agora falavam de Cristo com ousadia (AT. 5.42), ainda que fossem ameaçados de morte.
Na verdade, muitos se tornaram mártires da fé por causa do testemunho da morte e ressurreição de Cristo, pois essa assegurava-lhes uma existência para além dessa vida terrena, pois o mesmo Espírito que ressuscitou a Cristo, ressuscitará também aqueles que nEle acreditam (Rm. 8.11).

Conclusão:
Cristo ressuscitou e, porque Ele vive, podemos cantar com o autor do hino 545 da Harpa Crista “posso crer no amanhã.
Porque Ele vive, temor não há.
Mas eu bem sei, eu sei, que a minha vida está nas mãos de meu Jesus, que vivo está.
E quando, enfim, chegar a hora em que a morte enfrentarei, sem medo, então, terei vitória: irei à Glória, ao meu Jesus, que vivo está”.
Aleluia...

Dc. Luiz Carlos

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terça-feira, 2 de junho de 2009

Lição 10

Os Dons Espirituais

Texto Áureo: I Co. 12.7

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 12.1-11

Objetivo:
Refletir a respeito da doutrina dos dons espirituais, ressaltando sua atualidade para a edificação do Corpo de Cristo.

Introdução:
A doutrina dos dons espirituais tem total respaldo bíblico.
No texto em foco da I Epístola aos crentes de Corinto, Paulo apresenta uma categorização, ainda que seja exaustiva, de alguns dons úteis para a edificação da igreja.
No início da aula, definiremos o que seja os dons espirituais.
Em seguida, a partir de I Co. 12, estudaremos a diversidade dos dons espirituais.
Ao final, refletiremos, com base em I Co. 14, a respeitos de alguns princípios bíblicos para o uso prático dos dons na igreja local.

1. A Definição dos dons espirituais:
A palavra comum, no grego, para dons é charismata que, nos textos bíblicos, referem-se, no plural, às manifestações sobrenaturais provenientes do Espírito Santo para a edificação do corpo de Cristo (I Co. 12.4), tal palavra vem de charis (graça), sendo, portanto, assim como a salvação, dádiva divina, sem que haja merecimento.
Esses são dons espirituais - pneumaticos (em grego) - sendo assim, não se pode pensar que sejam resultantes do esforço meramente humano (I Co. 12.7; 14.1).
Assim, o estudo desses vocábulos, a partir do grego do Novo Testamento, nos leva a concluir que os dons são dádivas espirituais, concedidas pelo Espírito Santo, sem que haja merecimento humano, a fim de favorecer a edificação da igreja.

2. Os dons espirituais em I corintios 12:
Neste trecho da Epístola, Paulo trata a respeito das “coisas espirituais” (pneumatikon em grego), o que significa, mais especificamente, os dons espirituais (v. 1).
Em seguida, o apóstolo destaca a importância desses dons para a igreja (v. 4-6).
A manifestação dos dons do Espírito visa, além da edificação do Corpo, a glorificação de Cristo (v. 11), com vistas à unidade, isto é, para que seja “tudo em todos” (v. 6). Paula dá três listas de dons neste capítulo, os quais são manifestos de acordo com a vontade do Espírito Santo (v. 7).
É o Espírito que dá manifestações (revelações, meios pelos quais os se dá a conhecer).
Esses dons não são distribuídos para beneficio próprio, mas com vistas, esses dons sequer são individuais, eles devem “ser úteis”. Eles podem ser classificados como:
1) da palavra de sabedoria e palavra do conhecimento;
2) de fé, dons de curar e oração de milagres; e
3) de profecia, capacidade para discernir os espíritos, línguas e interpretação de línguas.
A diversidade desses dons é fundamental a fim de que a igreja possa ser amplamente favorecida.
Por meio da palavra de sabedoria, Deus trás, à igreja, uma palavra prática para uma necessidade ou problema em questão (At. 6.2-4; 15.13-21) ou diante dos adversários (At. 4.8-14; 19-21; 6.9,10).
A palavra de conhecimento é o discernimento sobrenatural quanto à revelação de Deus na Bíblia (At. 10.47,48; 15.7-11).
O dom da fé (I Co. 13.2) não é a fé salvadora, mas um dom especial com vistas a beneficiar a igreja local ou para a realização de um milagre (At. 27.25).
Os dons de curas (assim mesmo no plural) são manifestados para que Deus intervenha, curando doenças e enfermidades (At. 3.6; 4.30).
O dom de operação de maravilha sugere muitas variedades de milagres e ações de poder sobrenatural (At. 13.9-11).
A profecia é disponibilizada para todos os crentes (At. 2.17,18) para a edificação, exortação e consolação do Corpo.
O discernimento de espírito visa distinguir as operações satânicas da real manifestação do poder divino (At. 5.3; 8.20-23; 13.10; 16.16-18).
As variedades de línguas (I Co. 14.2) é uma demonstração da possibilidade da igreja falar em mistério.
A interpretação de línguas, por sua vez, capacita os crentes a traduzir, sobrenaturalmente, algo falado em línguas (I Co. 14.6,13,16).

3. A Aplicação dos dons na igreja local:
A igreja deve buscar “com zelo os melhores dons” (I Co. 12.31), mas principalmente o de profetizar.
A razão para a prioridade desse dom é a edificação da igreja, considerando que o falar em línguas edifica apenas a si mesmo, a menos que sejam interpretadas (I Co. 14.2).
Por isso, aquele que fala línguas deve buscar interpreta-las (I Co. 14.5-14).
Paulo dá o testemunho que prefere falar, na igreja, cinco palavras com entendimento, do que dez mil palavras em língua estranha (I Co. 14.19).
O culto, por assim, dizer, não pode se restringir a um “festival” de línguas estranhas.
O dom de línguas deva ser motivado quando os crentes estiverem sozinhos em suas devoções particulares.
Esse é o caminho do amadurecimento espiritual, saber quando se deve ou não falar línguas (I Co. 14.20).
As línguas no culto, principalmente quando interpretadas, servem de sinal para os descrentes, para que saibam quão distanciados de Deus estão (I Co. 14.21; At. 2.6).
Mas se transformamos o culto num encontro para que todos falem línguas estranhas, os incrédulos não compreenderão a mensagem do evangelho e os crentes, como aconteceu em Jerusalém (At. 2.13), serão chamados de loucos.
Por isso, Pedro, em At. 2.14, não falou a multidão em línguas estranhas, mas de forma audível e compreensível, o resultado foi uma conversão de quase três mil pessoas.
Assim, que tudo seja feito com decência e ordem, para a edificação do Corpo de Cristo, se não houver quem interprete as línguas, que fique calado ou fale apenas consigo mesmo (I Co. 14.28).
Quanto à profecia, que falem dois ou três e outros julguem (I Co. 14.29-31-32), isso mostra que o dom profético não é canônico, como a escritura, infalível, por isso, deva ser julgado à luz da Escritura.
Paulo admite que as pessoas podem acrescentar seus próprios sentimentos.
Talvez isso tenha acontecido quando os de Tiro, “pelo Espírito”, exortaram Paulo para que não fosse a Jerusalém (At. 21.4,11,12).
Aquelas profecias não foram infalíveis porque outras passagens, como a de At. 9.16, 27.23,24, revelam que era a vontade de Deus que Paulo fizesse aquela viagem.

Conclusão:
Os dons espirituais, conforme nos instrui o apóstolo Paulo, são dados para “cada um para o que for útil” (I Co. 12.7) e visam, acima de qualquer coisa, à edificação e à santificação da igreja (I Co. 12.7).
Esse dons – charismata - são espirituais – pneumatikon - concedidos de acordo com a vontade do Espírito Santo (I Co. 12.11) a fim de suprir as necessidades da igreja (I Co. 12.31; 14.1).
Esse dons não se restringiram apenas aos dias apostólicos, a igreja atual também pode usufruir deles com decência e ordem, de modo que não falte esses e outros dons (Rm. 12.6-8) até a vinda do nosso Senhor Jesus (I Co. 1.7).

Dc. Luiz Carlos

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Lição 09

A Importancia da Santa Ceia

Texto Áureo: I Co. 11.26

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 11.23-32

Objetivo:
Mostrar que a Santa Ceia não é um mero símbolo, mas um memorial da morte e ressurreição redentora de Cristo Jesus e anuncia a Sua volta para arrebatar a igreja.

Introdução:
A celebração da Santa Ceia sempre teve um lugar especial como memorial da morte e ressurreição do Senhor.
Em Corinto, conforme veremos na aula de hoje, esse ato tão sublime fora degenerado pela carnalidade.
Para não deturpar a ceia do Senhor, atentaremos, nesta lição, para os ensinamentos bíblicos em relação à celebração da Ceia, baseados na Epístola em foco.

1. A Celebração da ceia em corinto:
Com base em I Co. 11.21, depreendemos que, em Corinto, a Santa Ceia não era uma refeição simbólica apenas, como acontece em nosso meio nos dias atuais, mas uma refeição de verdade.
Fica claro também pelo texto que cada um dos participantes levava uma porção de comida que era compartilhada uns com os outros.
Mas em razão dos partidarismos na igreja, os grupinhos se formavam também para comer.
Uns comiam primeiro, outros depois, tudo se fazia para evitar contatos.
Paulo não tinha motivos para elogiar a igreja por essa desunião e falta de controle (v. 17), pois, além das divisões, havia aqueles que tinham mais condições (v, 18), levavam muita comida e bebida, exageravam, enquanto que outros ficavam com fome, numa nítida demonstração de segregação social e financeira.
Comiam antes que os outros chegassem, principalmente os escravos que não podiam chegar mais cedo.
Como conseqüência, o Apóstolo chama a atenção dos crentes de Corinto para que não se apropriem indignamente da ceia do Senhor.
Essa indignidade, pelo contexto da passagem, não é prioritariamente moral, antes uma ausência de discernimento quanto ao significado do corpo e do sangue do Senhor (v. 27).
Antes de se apropriar dos elementos da Ceia, é preciso que o crente examina-se, veja quais são suas reais intenções na participação do pão e do cálice (v. 28), e, principalmente, do seu lugar no Corpo de Cristo (v. 29), quando isso deixa de ser uma regra, o resultado é a morte tanto espiritual quanto física (v. 30-32), portanto, se tão somente para comer, que o faça em casa, pois a celebração da ceia não é apenas comida e bebida (v. 33,34).

2. O Ensinamento bíblico da ceia do Senhor:
A celebração da Ceia foi uma das ordenanças deixadas pelo Senhor (Mt. 26.26-30; I Co. 11.23-25).
Os discípulos poderiam se envolver com outras atividades e esquecerem o principal, o valor da morte e ressurreição de Cristo.
Por isso, para eles, bem como para nós hoje, a Ceia tem um significado rememorativo.
Os elementos da Ceia – o pão e o cálice – são símbolos do sacrifício do Cordeiro de Deus para a nossa salvação (formas figuradas como em Jo. 15; 10.9; 6.35).
O pão representa o Seu corpo (I Pe. 2.22-24) e o cálice simboliza o sangue do Senhor (Mc. 14.24).
A Ceia deve ter observação contínua (Lc. 22.14-20) como o fizeram os primeiros discípulos (At. 2.42; 20.7; I Co. 11.26).
Mas é preciso que haja atenção em relação ao significado dessa celebração, o descaso e a irrelevância dada à Ceia é pecado com graves conseqüências (I Co. 11.30).
Recomendamos, por ocasião da Ceia do Senhor:
1) sinceridade na apreciação (Lc. 22.17-19);
2) auto-exame em reconhecimento dos pecados (I Co. 11.27-29);
3) comunhão com os irmãos (I Co. 10.16-17); e
4) esperança quanto à manifestação do Senhor, no dia que Ele vier (I Co. 11.25,26).

3. Como não deturpar a ceia do Senhor:
Reconhecer:
1) que a Ceia é uma ordenança do Senhor (24,25);
2) que se trata de um memorial divino (v. 24,25);
3) que anuncia, profeticamente, a vinda do Senhor (v. 26);
4) que deve ser precedida de um auto-exame a fim de identificar a real motivação da celebração (I Co. 11.25);
5) para tanto, o cristão precisa discernir o valor espiritual da celebração da ceia (v. 29);
6) deva ser um momento de gratidão a Deus em reconhecimento pelo seu gracioso amor em Cristo (v. 24);
7) deve ser restrita aos discípulos de Cristo (Lc. 22.14);
8) trata-se de um momento de profunda devoção e solene louvor ao Senhor (Mt. 26.30).

Conclusão:
Se atentarmos para I Co. 11.25,26, concluiremos que a celebração da Ceia do Senhor aponta tanto para o passado quanto para o presente e o futuro.
Em relação ao passado, ela é um memorial da morte de Cristo na cruz do Calvário, para redimir os pecados dos crentes.
No presente, é um ato de renovação da comunhão com Cristo, bem com os demais membros do Corpo (I Co. 10.16,17).
Quanto ao futuro, anuncia o dia da manifestação do Senhor quando estaremos com Ele em corpos glorificados (Mt. 8.11; 22.1-14).


Dc. Luiz Carlos

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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Lição 08

Coisas Sacrificadas aos ídolos

Texto Áureo: I Co. 10.20

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 8.1-4; 10.14; 18-22.1-5,7,10,11

Objetivo:
Mostrar que o crente deve usufruir da liberdade cristã, contanto que essa não infrinja o mandamento do amor a fim de evitar que o irmão mais fraco fique escandalizado.

Introdução:
O culto aos ídolos costuma ser acompanhado de festejos com farta alimentação.
Esses alimentos são dedicados às divindades que são adoradas.
Na lição de hoje, veremos que a carne sacrificada aos ídolos se constituiu num problema com o qual a igreja de Corinto não sabia lidar.
O apóstolo Paulo traz uma série de recomendações especificando o cuidado que a igreja deveria ter com a carne sacrificada aos ídolos, e, por extensão, trata de como o crente deva exercitar, em amor, a liberdade cristã.

1. O Problema da carne sacrificada aos ídolos:
A situação na igreja em Corinto, em relação à carne sacrificada aos ídolos, era bastante problemática.
Primeiramente porque era uma prática social, isto é, participar de uma refeição num templo ou qualquer outro lugar associado a um ídolo fazia parte da etiqueta formal daquela sociedade (10.27,28).
Além disso, a maior parte do alimento vendido nos mercados, havia sido oferecida aos ídolos em sacrifício (8.10).
Segundo o costume, parte do animal sacrificado era distribuída entre o altar ao deus, os sacerdotes e parte aos cultuadores.
Os sacerdotes vendiam o que não podiam utilizar, por isso, era muito difícil saber se a comida de um determinado mercado era proveniente de um sacrifício (10.25).
Por causa dessa incerteza, os crentes de Corinto queriam saber do Apóstolo se poderiam ou não se apropriar de algum alimento que tivesse sido oferecido aos ídolos pagãos.
Ao invés de apresentar uma resposta direta sobre o assunto, Paulo clama para um dos fundamentos centrais da ética cristã: o amor.
A princípio, reconhece que o conhecimento inutiliza a força da divindade, com isso, ressalta que o ídolo não tem qualquer valor.
Aquele que tem esse conhecimento tem plena liberdade para se apropriar de qualquer comida, até mesmo aquela sacrificada aos ídolos.

2. Amor, O fundamento que limita a liberdade cristã:
Conforme vemos em I Co. 8.4, Paulo destaca a existência de um só Deus, por isso, os cristãos fortes tinham fundamentos teológicos suficientes para se apropriarem da carne vendida nos mercados ou oferecidas pelos amigos incrédulos.
A resolução do problema, entretanto, não estava no conhecimento, isto é, na teologia, mas na falta de atitude amorosa para com os mais fracos na fé.
Paulo diz que o conhecimento, isto é, a gnosis precisa ser balanceada com o ágape, ou seja, o amor.
A ética cristã não é governada pelo acúmulo de conhecimento, mas pelo amor genuinamente cristão (I Co. 8.13).
Por essa razão, é preciso aprender a abrir mão de certos direitos a fim de preservar a fé do irmão mais fraco, considerando que a vida espiritual do irmão é mais importante que o direito à liberdade.
Ainda que Paulo elogie o grupo forte, e mais que isso, se identifique com esses, resolve pôr em suspenso esse direito, abrindo mão do direito de comer carne a fim de não escandalizar os irmãos fracos.
Fica evidenciado nas instruções do Apóstolo que o conhecimento, desassociado do amor, ensoberbece (I Co. 8.1).
E quando o conhecimento ensoberbece, o caminho para a arrogância está bem próximo, bem como o do sectarismo.
Aqueles que conhecem a Deus, e mais importante, que são conhecidos por Ele (I Co. 8.3), não se deixa levar pela arrogância, não tocam trombetas, cultivam a humildade.
Como destacou W. Kay, “O conhecimento orgulha-se de ter aprendido tanto, mas a sabedoria humilha-se por não saber mais”.
O conhecimento tem a sua serventia, deve ser buscado e estimulado, mas preciso, acima de tudo, ser regido pelo amor (I Co. 8.1).
Guiados pelo amor, não vivemos apenas para nós mesmos, mas para o Senhor, e por conseguinte, para o próximo.

3. Aplicações práticas para a igreja cristã:
O problema da igreja de Corinto era a questão do consumo de carne sacrificada aos ídolos.
Dependendo da localidade, e da época, os questionamentos dos cristãos podem ser outros: se é permitido ou não praticar esportes, tomar ou não um pouco de vinho, assistir ou não a televisão, entre outros.
O princípio exposto por Paulo em sua I Epístola aos crentes de Corinto se aplica muito bem aos dias atuais.
Talvez não seja possível dar as respostas individuais que os crentes desejariam.
Isso porque alguns, mais liberais, querem que o crente possa fazer tudo o que deseja.
Outros, mais ascéticos, aconselham à privação de tudo.
O caminho bíblico em relação à resolução desses problemas na igreja deva ser o bom senso, sobretudo com equilíbrio.
Evitar os extremos parece ser a saída mais apropriada.
Ademais, é válido destacar que tudo nós é possível, mesmo assim, não nos deixaremos levar por nenhuma delas (I Co. 6.12).
É preciso ponderar nas atitudes, considerando que existem em nosso meio alguns irmãos mais fracos, e, por esse motivo, não devamos levar a liberdade cristã aonde bem quisermos.
Por causa desses irmãos, isto é, em amor a eles, a consciência fraca que ainda têm, o melhor é privar a liberdade.
É salutar também que se leve em consideração o respeito mútuo pelas diferenças no que tange às questões menos significativas.
O amor cristão, conforme Paulo instruiu os irmãos de Roma, é o fundamento do relacionamento cristão (Rm. 14.13-23).

Conclusão:
A consciência exerce um papel fundamental na liberdade cristã.
Mesmo assim, não é bom pensar que essa, por si só, seja a Palavra de Deus.
Devemos levar nossos julgamentos perante o crivo da Escritura, pois há muita gente com a consciência cauterizada pelos seus pecados (I Tm. 4.2).
A consciência do crente mais fraco vê pecado em tudo e o demônio em todos os lados (Rm. 14.23; I Co. 8.10).
O crente mais forte, por ter conhecimento, não precisa mostrar arrogância perante tais irmãos.
Em respeito à consciência deles, é mais sábio instruí-los, com amor e carinho, na verdade cristã, a fim de que, no tempo propício, ocorra o amadurecimento.
Enquanto isso não acontece, atuemos com sabedoria, e, se preciso for, aceitemos o desafio de Paulo: “se o manjar escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize” (I Co. 8.13).

Dc. Luiz Carlos

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terça-feira, 12 de maio de 2009

Lição 07

Consideração Acerca do Casamento

Texto Áureo: Hb. 13.4

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 7.1-5,7,10,11

Objetivo:
Mostrar que o casamento é, desde o princípio, uma instituição social e vitalícia como ponto de origem e suporte da família.

Introdução:
A saída apresentada por Paulo aos crentes de Corinto, e também para nós hoje para evitar a imoralidade sexual, é o casamento.
Nesta aula, aprenderemos o que a Bíblia ensina a respeito dessa importante instituição.
Estudaremos a respeito da questão do celibato, suas possibilidades e implicações, e, ao final, meditaremos a respeito do relacionamento conjugal entre cristãos e não-cristãos.

1. O Casamento na Bíblia:
No Antigo Testamento a palavra hebraica para casamento é “laqah”, cujo significado básico é o de “pegar pela mão, conduzir”.
No Novo Testamente, o termo “gamos”, em grego, significa “casar, celebrar o casamento, ter relações sexuais” (Mc. 6.17; Lc. 14.20; Jô. 2.1-2).
A importância do casamento é claramente exposta no Novo Testamento e está baseada nos mandamentos de Deus (Gn. 2.24; Mt. 19.4-5; I Co. 6.16; Ef. 5.31).
Jesus, no Sermão do Monte, destacou a natureza sagrada do casamento e reforçou o cuidado em relação ao mandamento de não cometer adultério (Mt. 5.31-32).
Ainda que em Dt. 24.1 haja uma possibilidade de divórcio, em Mc. 10.2, Jesus o proibiu, permitindo-o somente nos casos de imoralidade sexual do cônjuge (Mt. 5.32; 19.9).
O casamento é tão sublime do ponto de vista bíblico que, para Paulo, esse se assemelha ao relacionamento do homem com Deus (Rm. 9.25).
Por esse motivo, o casamento é um mistério que ilustra a relação de Cristo com a igreja (Ef. 5.32).
A fidelidade de Cristo pela igreja espelha como deve ser o tratamento do esposo para com a esposa e desta em relação àquele (Ef. 5.21-22, 25-29).
Ao contrário do que depreendem alguns estudiosos, a partir do capítulo 7 da I Epístola aos Corintios, a visão paulina do casamento é positiva, não negativa.
Conforme veremos nos próximos tópicos, o objetivo de Paulo nesse trecho da epístola é responder a alguns questionamentos da igreja (v. 1), levando em consideração os aspectos contextuais (v. 26).

2. O Casamento e Celibato:
Ao que tudo indica, na igreja de Corinto havia pólos extremos em relação ao casamento e ao celibato.
Paulo, no entanto, evita esses dois posicionamentos e mostra que tanto o casamento quanto o celibato são dons de Deus.
Por isso, se alguém recebeu o dom de casar, deve se casar, do mesmo modo, se recebeu o dom do celibato, deve permanecer no celibato.
O Apóstolo destaca, nesse capítulo, que:
1) o casamento é puro, por isso a poligamia deva ser terminantemente proibida (7.2);
2) do mesmo modo ele trata a união homossexual (7.2);
3) o celibato não deve ser uma ordenança, ainda que seja motivado (7.1). O celibato não pode ser uma obrigatoriedade, conforme estipula algumas igrejas, pois só faz sentido caso seja resultado de um dom espiritual (Mt. 19.10-12), na verdade, o casamento é um princípio estabelecido por Deus quando criou o primeiro casal (Gn. 2.18);
4) há uma mutualidade nos direitos conjugais, portanto, no que tange ao relacionamento, o marido e a mulher devam saber que têm responsabilidades sexuais um com o outro (7.4), é preciso que haja cuidado para que um não prive o outro (7.5); 5) o ato sexual, no entanto, não deva ser endeusado, como costuma acontecer nesta sociedade centrada no sexo, é possível que os conjugues resolva absterem-se, com consentimento mútuo, por algum tempo, para a dedicação à oração (7.5).
A razão para um tempo determinado, que não seja muito longo, é para evitar que Satanás entre em ação (7.5).
Acima de tudo, é preciso desconstruir a idéia, defendida por alguns, que o sexo é pecado, na verdade, dependendo de como ele é feito, ai sim, pode se tornar pecado (Hb. 13.4).

3. O Casamento entre Cristão e não Cristãos:
A igreja de Corinto era bastante recente, por isso, algumas pessoas se converteram ao evangelho de Cristo depois de casadas.
Como acontece com ainda hoje nas igrejas, é possível que o marido ou a mulher se converta e o cônjuge permanece descrente.
O questionamento da igreja era o seguinte: devemos nós permanecer casados com cônjuges descrentes? A resposta do Apóstolo à essa pergunta é: SIM.
Com isso, tal realidade não deva ensejar a separação.
A conversão não muda o compromisso social do cristão, a não ser, e ai entre a exceção paulina, que o cônjuge descrente não mais queira viver com o crente (v. 15).
Nesse caso, além da possibilidade do divórcio dada por Jesus, no caso da imoralidade sexual (Mt. 19.9), inclui-se também quando houver deserção obstinada da parte incrédula e que não possa por hipótese alguma ser remediada pela igreja.
Aos cristãos não casados da igreja de Corinto, Paulo recomenda, tanto aos solteiros quanto às viúvas, que não se casem, a menos que realmente não possam, nesse caso, persiste a máxima, “é melhor casar do que viver abrasado” (v. 8,9).
Um entrave para muitos teólogos é tentar entender porque Paulo, que defendera o casamento em tantas outras circunstâncias, parece se opor a esse.
A resposta está nas circunstâncias, haja vista que a igreja se encontrava na iminência de ser perseguida, por isso, seria mais viável para os solteiros e as viúvas não se casarem, afinal, no contexto da perseguição, as famílias sofrem mais ainda (v. 28).

Conclusão:
Esse capítulo da epístola não deva ser tomado isoladamente a fim de se construir uma teologia do casamento.
Ele precisa ser correlacionado com outras passagens bíblicas, e, principalmente, ser visto a partir das indagações específicas da igreja de Corinto.
Algumas verdades, entretanto, são de âmbito doutrinário, isto é, têm alcance universal, dentre elas, destacamos:
1) o celibato é um dom, portanto, se alguém anseia o casamento é porque não tem o dom do celibato, então, é melhor casar (v. 8,9);
2) quando for fazê-lo, esteja ciente que o seu futuro cônjuge seja, de fato, um cristão, a fim de que o casamento se dê no Senhor (v. 39);
3) se a conversão acontecer depois do casamento, todos os esforços devam ser feitos a fim de que o casamento seja mantido; e
4) os cônjuges devam ter o cuidado de cumprir a satisfação sexual um do outro, a fim de que não sejam alvo das tentações satânicas (vs. 3-5).


Dc. Luiz Carlos

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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Lição 06

Demandas Judiciais entre os Irmãos

Texto Áureo: I Co. 6.2

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 6.1-9

Objetivo:
Compreender que o cristão, no exercício do amor cristão, deve aprender a perdoar, portanto, não devem levar seus próprios irmãos aos tribunais descrentes.

Introdução:
Os membros da igreja de Corinto, em decorrência da carnalidade, mais precisamente, da falta de amor, levavam uns aos outros aos tribunais pagãos a fim de disputarem interesses egoístas.
Na lição de hoje, aprenderemos que essas atitudes procedem em igrejas que não mais sabem o que significa a comunhão cristã.
Por isso, os litígios e as inimizades tornam-se práticas comuns, mais que isso, naturais. Ao final, veremos que a igreja cristã precisa atentar para a dimensão escatológica do seu chamado.
Para tanto, faz-se necessário saber solucionar seus conflitos com sabedoria do alto, e, principalmente, com amor cristão.

1. A Falta de comunhão entre os crentes de Corinto:
Os membros de uma igreja carnal deixam-se facilmente levar pelos interesses egocêntricos.
Por isso, em Corinto, havia quem tivesse “algum negócio contra o outro” (v. 1), e o pior, levavam uns aos outros aos tribunais pagãos, acionavam os juízes incrédulos para resolverem suas disputas, escandalizando o evangelho de Cristo.
Aquela igreja não sabia o significado da palavra comunhão.
A koinonia, comunhão em grego, é uma premissa para a congregação que celebra o nome de Cristo.
Esse termo significa também a partilha entre os fiéis da igreja.
Tal sentimento recíproco é descrito em At. 2.42 em que os cristãos, como discípulos do Senhor, permaneciam juntos em comunhão.
A doutrina da comunhão é recorrente nas epístolas paulinas.
Para o apóstolo dos gentios a comunhão envolve a partilha de coisas materiais – ao suprimento das necessidades dos santos (Rm. 15.26; II Co. 8.4; 9.13).
Para desenvolver o ministério da koinonia é preciso aprender a abrir mão dos interesses próprios em prol dos outros (Fp. 2.1).
Somente quando somos guiados pelo Espírito (Gl. 5.19-22), podemos viver a verdadeira espiritualidade, e, assim fazendo, não daremos lugar aos interesses egoístas.
Por essa razão João admoesta os crentes para que vivam em comunhão uns com os outros (I Jo. 1.3,7).
Tal comunhão está fundamentada no Pai e em Seu Filho Jesus Cristo (I Jo. 1.6).

2. Os litígios e as inimizades entre os crentes de corinto:
Conforme ressaltamos anteriormente, os crentes de Corinto não sabiam o que era comunhão.
Por isso, faziam injustiças uns contra os outros (v. 8).
Aqueles que se sentiam penalizados, ao invés de perdoarem e viverem em conciliação, em conformidade com o padrão bíblico (Mt. 5.38-40; Rm. 12.14-21), ia à Corte, demonstrando que, na verdade, alguns deles sequer haviam sido convertidos (I Co. 15.34).
A igreja de Corinto se assemelha a algumas igrejas contemporâneas.
Estão tão voltadas para o materialismo que os crentes só conseguem ver cifras.
Não admitem perder um centavo, acreditam que o dinheiro é a razão da plena felicidade.
A doutrina da graça está sendo destruída desses arraiais.
Não há lugar para o perdão, a lei do mais forte prevalece.
A palavra chave, tomada dos meios empresariais, é o sucesso.
Todos que ser vitoriosos, há, inclusive, quem cite Rm. 8.37 “somos mais do que vencedores”, sem atentar para o contexto.
Paulo, nessa passagem, está tratando da vitória do crente sobre a natureza pecaminosa.
Outros utilizam Fp. 4.13 para defender que podem fazer qualquer coisa, mesmo usurpar o que é do seu irmão em prol de benefícios escusos.
Deus nos chamou para a paz, para que vivamos em graça, para o exercício do perdão.
A mensagem do evangelho, nesse sentido, é uma espécie de contracultura.
O mundo desconhece os princípios do amor cristão, é pelos frutos que somos conhecidos (Mt. 7.18-20), por isso, não podemos esquecer que somos sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.13.14).

3. A Solução dos problemas conflituais na Igreja:
Ao longo do texto, Paulo apresenta algumas soluções para os problemas dos conflitos da igreja em Corinto, e essas se aplicam muito bem aos problemas interpessoais da igreja hoje:
1) evitar os danos e contendas dentro da igreja, pois o simples fato de existir contendas entre os crentes já é vergonhoso;
2) mas se elas surgirem, os crentes não devam levar seus problemas aos tribunais fora da igreja, pois isso pode ensejar um escândalo (I Co. 6.1,4);
3) buscar dentro da igreja a solução para o problema por meio de um sábio aconselhamento, os conflitos da igreja devam ser resolvidos internamente (v. 5,6); e
4) dispor a sofrer dano, isto é, a sacrificar-se pelo outro, a proposta do apóstolo está focada não no direito e na justiça, mas no exercício do perdão e da misericórdia (v. 7).

Conclusão:
A justiça dos homens é medida por medida, isto é, olho por olho e dente por dente (Mt. 5.38).
Essa também é a lei de Mamon, o deus do dinheiro e da exploração (Mt. 6.24).
O cristão, porém, vive debaixo de uma outra lei (Mt. 5.39-42).
A lei da graça de Cristo, por isso, é capaz de, por amor, abdicar de seus direitos em prol do evangelho, especialmente quando existe a possibilidade de escândalo (Mt. 18.17).


Dc. Luiz Carlos

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Lição 05

A Imoralidade em Corinto

Texto Áureo: I Co. 6.1

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 5.1-6; 9-11

Objetivo:
Compreender que Deus repudia ao pecado, e, por isso, a igreja deve intervir na disciplina com vistas à saúde espiritual.

Introdução:
A igreja de Corinto, como toda igreja carnal, além das divisões e partidarismos, tinha casos vergonhosos de imoralidade sexual (porneia em grego).
Na lição de hoje, estudaremos a respeito da situação imoral na qual se encontrava aquela igreja.
Em seguida, mostraremos algumas recomendações bíblicas quanto à disciplina da igreja diante do pecado. Ao final, destacaremos que a disciplina é necessária, e mais que isso, é saudável tanto para a igreja quanto para aquele que é disciplinado.

1. A Imoralidade na Igreja de Corintos:
Na igreja de Corinto a imoralidade sexual era comum.
Isso acontecia porque a igreja era cúmplice, ou seja, tolerava o pecado.
Havia um caso aviltante naquela igreja de relacionamento de um homem com a mulher do seu pai. Paulo deixa claro, em I Co. 5.1,2, que um caso como esse não teria apoio sequer no meio daqueles que não professam a fé cristã.
Provavelmente, não se referia a própria mãe, pois se assim o fosse Paulo o teria dito.
O ofensor, portanto, teria seduzido a mulher do seu pai, isto é, a madrasta, ainda que não fique explicitado se isso teria acontecido após o divórcio ou da morte do pai.
Em todo caso, tratava-se de uma prática sexual ilícita, denunciada pelo Apóstolo e proibida tanto pelas leis romanas quanto judaicas (Lv. 18.8).
A esse respeito, destacamos que:
1) não se pode fazer concessão ao pecado (v. 1) – a igreja havia se acostumado com tais práticas (v. 2);
2) é preciso chorar e lamentar o pecado – a palavra grega usada é penthein, cujo sentido é de alguém que pranteia num funeral, ao invés de chorar, a igreja estava ensoberbecida;
3) não se deixar ensoberbecer com o pecado – é triste saber que aquela igreja não apenas apoiava o pecado, mas se jactava dele (v. 6), o politicamente “correto” e a aplicação da tolerância havia chegado ao extremo, é possível que não mais se levasse em conta o absoluto, o relativismo cultural já havia tomado conta da igreja, por isso, essa não mais disciplinava os pecadores (v.2).

2. O Valor da disciplina na Igreja:
A fim de que não venhamos a entrar pelo caminho do mundo, defendendo que o errado é certo e que o certo é errado (Is. 5.20), a igreja precisa atuar amorosamente na disciplina dos pecados na igreja.
Seguindo a admoestação de Paulo para aqueles dias, a igreja deve exercitar a disciplina do transgressor: o referido homem da I Epístola aos Coríntios deveria ser entregue a Satanás (v. 3-5).
Essa expressão não é muito comum no Novo Testamento, podemos encontrar relação com I Tm. 1.20.
O sentido subjacente em ambos os casos é que fora da igreja se encontra a esfera de Satanás (Ef. 2.12; Cl. 1.13; I Jo. 5.19), por isso, extrair alguém do escopo da igreja seria entregá-lo à região de Satanás.
Outra expressão de difícil compreensão, ainda nessa passagem, é a respeito dessa entrega para a “destruição da carne”.
Pelo contexto, é possível inferir que Paulo deseja que o ofensor, após a exclusão, tenha consciência das perdas e passe a se lembrar com nostalgia das coisas de Deus, nos tempos que estava na igreja, e, por fim, se arrependa dos seus pecados e se volte para Deus.
Para Paulo, a disciplina é um ato de amor, pois, ainda que no momento seja duro tomar a decisão pela exclusão de alguém que tenha pecado, essa atitude pode muito bem redundar em graça e o ofensor poderá vir a ser salvo, e, para maior alegria, poderemos ver aquele que uma vez foi excluído, voltando-se para Deus e a ser encontrado no dia do Senhor, por ocasião do arrebatamento da igreja (v. 5).

3. A atuação da diciplina biblíca:
Conforme vimos anteriormente, a disciplina tem um valor especial para a saúde da igreja local. Essa, porém, deva ser aplicada a partir de alguns princípios bíblicos:
1) é um ato imperativo – isso quer dizer que não deva ser uma opção, pois é uma ordem de Deus (I Co. 5.2,13; Mt. 18.17);
2) é um ato coletivo – não é apenas uma decisão da liderança, mas de toda a igreja, os membros da igreja devam referendar a disciplina (I Co. 5.4);
3) é um ato restritivo – os crentes estão no mundo, mas não podem pactuar com as coisas do mundo, por isso, devem viver espiritualmente separados das práticas pecaminosas, caso contrário o pecado passará a ser aceito com naturalidade dentro da igreja;
4) é um ato de julgamento – à igreja foi dada a autoridade para discernir, pela Palavra, o certo e o errado, sendo uma agência do reino de Deus, por isso, quando alguém é disciplinado, deixa de fazer parte desse Corpo, expondo-o, caso não se arrependa, à ação de Satanás;
5) é um ato preventivo – se o fermento velho não for lançado fora, a massa toda vai ser contaminada (v. 7), a igreja, por conseguinte, precisa preocupar-se com os membros de dentro, pois os de fora Deus os julgará (v. 13);
6) é um ato de perdão – não se deve excluir a possibilidade do perdão na disciplina, o propósito deva ser sempre o da restauração (v. 5), para tanto, a disciplina deva ser aplicada com lágrimas, e, quando houver arrependimento do ofensor, a igreja deverá amar, consolar e perdoar o pecado, recebendo-o de volta à comunhão.

Conclusão:
A igreja de Corinto, como algumas igrejas da atualidade, toleram o pecado, e o pior, em determinados contextos esse é assumido com naturalidade.
A fim de que essa não seja uma prática comum naquela e em nossas igrejas, Paulo instrui a respeito da necessidade da disciplina.
Ainda que dolorosa, essa precisa continuar sendo atuante, não somente para a saúde da igreja, mas para a possível preservação da alma do ofensor.
Para tanto, a disciplina cristã deva ser feita com lágrimas, sobretudo com amor, na esperança que o pecador se arrependa e se volte para o Senhor que é longânimo para perdoar.


Dc. Luiz Carlos

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Lição 04

Despenseiros dos Mistérios de Cristo
Texto Áureo: I Co. 4.1

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 4.1-5, 14-16

Objetivo:
Mostrar que Deus não precisa da ajuda humana, mas permite que seus ministros participem da realização de seus eternos propósitos.

Introdução:
Na aula de hoje, veremos que Deus revelou seus mistérios à igreja.
Para tanto, fomos escolhidos como despenseiros do Seu ministério.
Mas, qual o significado do termo “mistério de Cristo”? Qual a missão primordial de todos nós enquanto despenseiros de tal mistério? A fim de responder a essas perguntas, mostraremos, a princípio, o significado bíblico de “mistério”, especialmente no Novo Testamento.
Em seguida, apontaremos as características fundamentais dos despenseiros desse mistério.
E, ao final, destacaremos a missão e a avaliação do ministério cristão.

1. Os Mistérios de Cristo:
No Novo Testamento, a palavra grega “mysterion” denota um segredo ou algo desconhecido.
Em Mt. 3.11, Jesus disse que o conhecimento dos mistérios do reino havia sido dado aos seus discípulos, ainda que estivesse oculto aos demais.
Há várias passagens bíblicas que aludem aos mistérios de Deus revelados:
O mistério do reino de Deus (Mc. 4.11);
O mistério de Cristo (Ef. 3.4; Cl. 4.3);
O mistério do evangelho (Ef. 6.19),
O mistério de Deus (I Co. 2.1; 4.1; Ap. 10.7),
O mistério de Deus em Cristo (I Co. 2.7);
Os mistérios da fé (I Tm. 3.9)
e o mistério da piedade (I Tm. 3.16).
Todas essas passagens se referem à mesma idéia, isto é, ao conhecimento da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Essa compreensão não se baseia no intelecto humano ou nas investigações filosóficas, conforme já estudamos em I Co. 1.20-31.
A única maneira de obtê-lo é através da revelação de Deus, que falou aos antigos e, nesses últimos dias, pelo Filho (Hb. 1.1-3).
Por isso, Paulo a respeito do mistério que Deus tornou conhecido pela revelação (Ef. 3.3).
Nessa última passagem bíblica, a revelação desse mistério consta na junção de gentios e judeus a fim de que esses se tornem um em Cristo.
Essa união é possível porque Jesus, o mistério de Deus, se revelou, nEle estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (I Co. 2.1-3).
E esse não é mistério qualquer, trata-se de um grande mistério, pois tem a ver com Cristo e a Igreja (Ef. 5.32).

2. Características dos Despenseiros:
O termo despenseiro, usado por Paulo em I Co. 4.1, é “oikonomos”.
O despenseiro, nos tempos antigos, era o administrador dos afazeres do lar.
Era uma espécie de mordomo ou superintendente (nascido livre ou, como era geralmente o caso, um liberto ou um escravo) para quem o chefe da casa ou proprietário tinha confiado a administração dos seus trabalhos, o cuidado das receitas e despesas, e o dever de repartir a porção própria para cada servo e até mesmo para as crianças pequenas.
Paulo utiliza essa imagem a fim de ressaltar o papel que os obreiros – servos de Deus – têm no ministério eclesiástico.
Não há maiores nem menos, e aqui vale lembrar os partidarismos, nem Pedro, Paulo ou Apolo.
Todos não passam de servos – diakonos no grego – que labutam em obediência a fim de que a igreja, família e construção de Deus possa ser edificada.
Algumas características são necessárias ao ministro dos mistérios revelados em Cristo:
1) que sejam verdadeiramente chamados para a obra (At. 13.2; Rm. 1.1; Gl. 1.15; I Ts. 2.4), que não confundam o serviço cristão com emprego ou ganho de vida para enriquecimento;
2) demonstrar responsabilidade ministerial – para tanto, precisa dar bom testemunho de fé tanto entre os fieis quanto entre os descrentes (I Tm. 3.7; 3 Jo 12);
3) serem piedosos e íntegros – vivendo dignamente, diante de Deus e dos homens (II Co. 8.21; I Tm. 6.11,12), vivendo de modo a ser exemplo para o rebanho em todos os aspectos da vida;
4) ter comprometimento com a Palavra de Deus – não apenas conhecendo a Bíblia, mas vivendo-a em seu dia a dia (II Tm. 2.15; 4.2), pois de nada adianta a eloqüência, as palavras persuasivas, se não há testemunho de um servo de Cristo (I Co. 2.4).

3. A Missão e a avaliação dos Despenseiros:
Os despenseiros dos mistérios revelados em Cristo têm uma missão a cumprir.
Não podem esquecer que foram chamados para o serviço.
Pena que essa palavra esteja sendo usada de modo equivocado nos dias atuais.
O termo “servo”, em grego, é “doulos”, o mesmo usado para “escravo”.
Atualmente, alguns pastores, bispos e apóstolos não aceitam o desafio da serventia cristã.
Pior ainda, alguns querem ser donos do rebanho, ditam regras que estão distanciadas da Palavra de Deus, impondo sobre os cristãos fardos pesados que eles mesmos não sejam capazes de carregar (At. 15.10).
O despenseiro genuinamente chamado por Deus sabe que é uma dádiva à Igreja (Ef. 4.11) com vistas à edificação do Corpo de Cristo.
A Igreja, bem ressaltou Paulo em seu sermão em Éfeso, é propriedade de Deus (At. 20.28) e isso fica claro também em I Co. 15.58.
Os despenseiros serão avaliando pelo Senhor, por isso, é preciso que sejam aprovados, que não tenham do que se envergonhar, que manejem bem a Palavra da verdade (II Tm. 2.15).
A obra de todos os despenseiros de Cristo será avaliada (I Co. 4.5).
O trabalho feito será julgado pelo Senhor, passando pelo seu crivo.
Isso acontecerá no Tribunal de Cristo, quando virão, à luz, as intenções do trabalho feito (I Co. 3.13-15; II Co. 5.10; Rm. 14.10,12; I Jô. 3.15).
Esse não será um julgamento para condenação, mas das obras (Ap. 14.13), já que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo (Rm. 8.1).

Conclusão:
Os despenseiros de Cristo não têm motivos para jactarem-se de suas obras, pois não fazem mais do que devem (Lc. 17.10).
Em tudo o que fazem, devem avaliar suas ações e intenções, pois o Senhor adverte: “Eu conheço as tuas obras” (Ap. 2.2,9,13,19; 3.1,8,15).
Diante de tamanha responsabilidade, temos, como Paulo, motivos para estar, diante de Deus e da Igreja, em temor e tremor (I Co. 2.3; II Co. 7.15; Ef. 6.5; Fp. 2.12).


Dc. Luiz Carlos

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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Lição 03

Partidarismo na Igreja

Texto Áureo: Sl. 133.1

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 1.10-13; 3.1-6

Objetivo:
Mostrar que a igreja de Jesus é um corpo espiritual no qual a unidade do Espírito só pode ser conservada pelo vincula da paz.

Introdução:
A igreja de Corinto estava dividida em partidos – schismas em grego (cujo sentido primordial é rasgão, como de um tecido). Apelando à origem da palavra, a igreja de Corinto, como algumas contemporâneas, se encontrava retalhada por divisões, contendas e partidarismos.
Na lição de hoje, estudaremos a respeito desse assunto destacando os seguintes partidos:
1) o partido de Paulo,
2) o partido de Apolo,
3) o partido de Cefas,
4) o partido de Cristo.
E, ao final, defenderemos a necessidade da unidade espiritual do Corpo de Cristo.

1. O Partido de Paulo:
O partido de Paulo era o dos fundadores da igreja, pois foi Paulo que levou a maioria dos crentes de Corinto a Cristo (I Co. 4.15).
Esses eram os pioneiros da igreja, aqueles que diziam seguir apenas o que Paulo havia dito. Em relação à fé judaica, esses eram mais liberais porque não se deixavam controlar pelas tradições legalistas.
Temos boas razões para acreditar que esse partido era formado fundamentalmente por gentios.
Aqueles que faziam parte desse grupo deveriam exagerar na prática dos ensinamentos de Paulo, entregando-se à carnalidade. Esse partido “paulino”, contraditoriamente, desobedece aos ensinamentos do próprio Apóstolo, que instruiu a igreja à santificação.
Paulo censura esse partidarismo na igreja, dizendo que não deu autorização para as pessoas destacarem-no em relação aos demais apóstolos e, principalmente, para que vivam em santificação (I Co. 6.19).

2. O Partido de Apolo:
O partido de Apolo era formado por aqueles que defendiam uma abordagem filosófica da fé cristã. Apolo é conhecido em At. 18.24 como um homem de fluência na palavra, detentor de conhecimentos retóricos.
Por ser de Alexandria, cidade na qual se desenvolveu a interpretação alegórica, é provável que Apolo tenha sido influenciado pela hermenêutica de Filo, entre outros pensadores gregos.
Apolo, conforme lemos em At. 18.26, foi discipulado por Áquila e Priscila, os companheiros de Paulo.
Segundo Lutero, esse teria sido o autor da Epístola aos Hebreus.
O grupo de Apolo era formado por intelectuais, isto é, pessoas que gostavam de um discurso bem elaborado, eloqüente e repleto de beleza retórica, uma espécie de elite cultural dentro da igreja que se contrapunha a Paulo que tinha “presença fraca e palavra desprezível” (I Co. 2.1; II Co. 10.10).
Contra esse partido, Paulo destaca que ninguém se apresse a saber além do que está escrito (I Co. 4.6).
Em relação a Apolo, tanto Lucas quanto Paulo aprovaram seu ministério (At. 18.27,28; I Co. 6.5,6; 16.12; Tt. 3.13).
Assim sendo, é apropriado defender que esse era uma partido que exagerava na ênfase alegórica e filosófica, diferentemente do que fazia Apolo.

3. O Partido de Cefas:
O partido de Cefas (ou de Pedro – ver Jo. 1.42), ao que tudo indica, era bastante conservador.
Era composto pelos judeus e prosélitos que se tornaram judeus através da prática da circuncisão.
Essas pessoas eram tementes a Deus, iam à sinagoga, estudavam a lei e observavam os ritos judaicos.
Os partidários de Pedro eram tendenciosos legalismo, ainda que não possamos atribuir essa característica a esse apóstolo, principalmente depois da revelação que recebeu do Senhor , que se encontra registrada em At. 10 e da repreensão de Paulo em Antioquia, em Gl. 2.11-14.
O partido que recebia o nome de Cefas, em todo caso, pode ser muito bem associado ao grupo de judeus.
Seus membros ensinavam que o homem devia observar a lei para a salvação.
Eram os legalistas que colocavam a lei acima da graça.
Contra esse partido Paulo escreveu a Epístola aos Gálatas, a fim de defender o evangelho de Cristo contra essa deformação (Gl. 1.6-9).
Entre Paulo e Pedro, o ensinamento geral da Bíblia, é de respeito mútuo entre eles, destarte as diferenças pouco significativas (II Pe. 3.15; Gl. 2.7-10; I Co. 9.5).

4. O Partido de Cristo:
Esse era o partido mais problemático por causa da arrogância e do orgulho.
Por usarem o nome de Cristo, esse grupo é tomado pelo exclusivismo, achavam que somente eles tinham a verdade e todos os outros da igreja estavam errados.
Podem hoje ser comparados aqueles grupos denominacionalistas que acreditam haver salvação apenas entre eles.
O partido desse “Cristo” é formado por quem não se submete a qualquer autoridade.
É provável que sejam esses a quem Paulo se referiu como os que diziam ter sabedoria e conhecimento superiores (I co. 8.1), que os tornavam livres de restrições e demandas morais (I Co. 5.1,2; 6.12; 10.23).
Eles deturparam o evangelho e argumentavam com espírito de contenda (II Co. 10.7,10,11; 11.4,20,21,23).
Esses foram considerados como falsos mestres e inimigos de Paulo (I Co. 4.18,19).
Os membros desse partido se assemelham com a doutrina gnóstica, predominante nos tempos neotestamentários e contra os quais os apóstolos, principalmente João (I João) e Paulo (Epístola aos Colossenses), tiveram que se posicionar.
Esse grupo constitui-se dos “iluminados”, dos detentores de uma “verdade mística” distanciada do evangelho de Cristo.

Conclusão:
Em Ef. 4.3-4, Paulo admoesta aos irmãos daqueles tempos, e o mesmo Espírito fala hoje às igrejas a fim de que sejamos um no Senhor.
Na verdade, é esse mesmo Espírito que trabalha em nós a espiritualidade, para que sejamos um no Senhor (Jo. 17. 21-23).
Uma igreja verdadeiramente espiritual está unidade na doutrina e no amor de Cristo, não cultua personalidades, não está edificada em homens.
A igreja cristã amadurecida é uma e sabe também lidar com as diferenças, com as diversidade na unidade.
A máxima a esse respeito é a seguinte: no essencial, unidade; no secundário, liberdade; em tudo, o amor.
Somente o amor pode desfazer os partidarismos na igreja.
Sem ele, a carnalidade impera e só há lugar para disputas.
O amor é o vínculo da paz, que se concretiza no sacrifício, suportando uns aos outros humildemente (Ef. 4.1,2) e, sobretudo, não esquecendo que Cristo é a Pedra de Esquina sobre a qual a Igreja está edificada (Mt. 16.18; I Co. 3.11; Ef. 2.20; I Pe. 2.1-6).


Dc.Luiz Carlos

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terça-feira, 7 de abril de 2009

Lição 02

A Superioridade da Mensagem da Cruz

Texto Áureo: I Co. 1.18

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 2.1-10

Objetivo:
Mostrar que a pregação evangélica eficaz não se baseia em pressupostos religiosos ou argumentos filosóficos, mas na cruz de Cristo, loucura para os que perecem, mas para os salvos, poder de Deus.

Introdução:
Na igreja de Corinto havia tanto judeus religiosos quanto intelectuais instruídos na filosofia grega. Na lição de hoje, veremos que, como naqueles dias, a religiosidade e a filosofia humana imperam, mas ambas estão distanciadas da verdade do evangelho de Cristo. As palavras do Apóstolo, conforme veremos neste estudo, revelam que o fundamento da fé cristã não repousa nesses dois pólos, mas na centralidade da mensagem da cruz, loucura para os que perecem e o poder de Deus para os que crêem.

1. A Mensagem da Religião:
A religião é uma tentativa humana de aproximação de Deus. É uma espécie de torre de Babel (Gn. 11.9), de confusão, por meio do qual o homem, através dos seus esforços, de suas vestes de figueira (Gn. 3.7) quer agradar ao Criador. Para tanto, a religião se sustenta numa série de regras e padrões humanos na tentativa de manipular as pessoas (Cl. 2.20-23). Nos tempos de Paulo, especificamente na cidade de Corinto, a religião judaica determinava os procedimentos a serem seguidos a fim de que o ser humano adquirisse sua salvação, essa era uma defesa dos judaizantes (Gl. 1.8,9), que pregavam um outro evangelho distinto do de Cristo. Quando Jesus esteve entre os religiosos de sua época, eles cobravam a realização de milagres (Mt. 12.18-40). O problema dos sinais é que eles, ao invés de fortalecerem a fé, na verdade, viciam as pessoas a sempre quererem mais sinais, como aconteceu com os israelitas quando caminhavam pelo deserto. Há pessoas que não conseguem se distanciar dos sinais, somente acreditam se, como Tomé, avistarem as feridas de Jesus (Jo. 20.25). O pior da religião, no entanto, é a busca pelo mérito divino. Os religiosos estão sempre buscando fazer algo para agradar a Deus, não entendem o milagre do novo nascimento (Jo. 3.3) e que somos salvos pela graça, por meio da fé, isso não vem das obras para que ninguém se glorie (Ef. 2.8,9).

2. A Mensagem da Filosofia:
A filosofia em Corinto, quando Paulo escreveu sua Epístola, era um conhecimento valorizado, cujo fundamento era a racionalidade. Tal racionalidade era apregoada pelos filósofos clássicos, com os quais os gregos estavam acostumados. Para esses filósofos, a base do conhecimento estava na “sofia”, isto é, na “sabedoria” humana. Através das reflexões humanas, os pensadores daqueles tempos, como alguns da modernidade, buscam Deus, através das investigações lógicas, trazer provas racionais de Sua existência. Deus, no entanto, nega-se a ser conhecido pelas vias da razão exclusiva. Quanto mais o homem pergunta por Deus através de suas especulações filosóficas, mais deles Ele se distancia. É pouco provável que alguém reconheça o Deus, Pai do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo pela investigação filosófica. O máximo que podemos apreender é a figura de um Criador poderoso que tudo fez ou de um Legislador Moral que julgará a todos devido a consciência universal do pecado. Para o homem natural, representado pelos materialistas ou existencialistas ateus, Deus não passa de um delírio. Para os filósofos deitas, Deus pode ser comparado a um relojoeiro que criou o mundo e o entregou ao acaso. Para os agnósticos, Deus pode até existir, mas como não se pode saber, resta, como os atenienses dos tempos de Paulo, construir um altar ao Deus Desconhecido (At. 17.23). A filosofia, como área de conhecimento humano, tem o seu devido valor. Não podemos negar a contribuição que o estudo filosófico trouxe a humanidade. Alguns filósofos, na verdade, foram cristãos, tais como Agostinho de Hipona, Anselmo de Aorta, Blaise Pascal, Soren Kierkegaard, entre outros. Mas, em se tratando do evangelho de Cristo, somente podemos conhecê-lo espiritualmente, pois Ele o foi revelado pelo Espírito. O mistério de Deus chegou até nós por meio de Jesus de Cristo (Cl.1.26; 2.2). O estudante cristão de filosofia deve levar cativo todo conhecimento à obediência de Cristo (II Co. 10.5). Caso contrário, o conhecimento filosófico pode acabar distanciando-o da Palavra de Deus (Cl. 2.8).

3. A Mensagem da Cruz de Cristo:
Os judeus pedem um sinal, os gregos querem sabedoria (I Co. 1.22) A mensagem do evangelho de Cristo, por conseguinte, é um escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Aprouve a Deus, entretanto, salvar os homens (e mulheres) pela loucura da pregação (I Co.2.14; 3.19). A pregação do apóstolo Paulo, quando esteve em Corinto, não se fundamentou em sofismas, em raciocínios lógicos, mas na cruz de Cristo (I Co. 2.4). A mensagem da cruz é a interdição de Deus tanto aos religiosos quanto aos filósofos. Enquanto a religião quer que as pessoas sejam salvas por meios das suas obras, a mensagem do evangelho de Cristo diz que o homem é salvo pela graça, por meio da fé, e que isso não vem de nós, é dom de Deus (Ef. 2.8,9). Enquanto os homens buscam uma explicação lógica para provar que Deus não existe, Ele, na Sua simplicidade, se faz carne, habita no meio dos homens e, em Cristo, revela-la se como o Deus de amor e graça (I Co. 1.27). A mensagem da igreja cristã não pode ser outra senão a do Cristo crucificado (I Co. 2.2). Não são poucos que atualmente querem sustentar suas mensagem na religiosidade humana ou em argumentos filosóficos. As pessoas somente poderão crer pela fé, e essa resulta da pregação da Palavra de Deus (Rm. 10.17).

Conclusão:
A mensagem da igreja não pode ser religiosa - fundamentada nos méritos humanos, ou filosófica - sustentada na razão pura. A tarefa da igreja é a de se debruçar espiritualmente sobre a Palavra de Deus e proclamá-la em alto e bom som. Essa não agradará a todos os seguimentos da sociedade, continuará sendo escândalo para os religiosos e loucura para os intelectuais. Isso porque os religiosos não admitem serem salvos por outro meio que não seja o esforço pessoal. Os pensadores acham a pregação cristã algo irracional e sem qualquer fundamento lógico. Mesmo assim, com o autor do hino 291 da Harpa Cristã cantamos: “Rude cruz se erigiu, dela o dia fugiu, como emblema de vergonha e dor, mas contemplo esta cruz, porque nela Jesus, deu a vida por mim, pecador. Sim, eu amo a mensagem da cruz, té morrer eu a vou proclamar, levarei eu também minha cruz, té por uma coroa trocar”.

Dc.Luiz Carlos

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segunda-feira, 30 de março de 2009

Lição 01

Corinto - Uma Igreja Fervorosa, mas não Espiritual

Texto Áureo: I Co. 3.1

Leitura Bíblica em Classe: I Co. 3.1-9

Objetivo:
Mostrar que a igreja de Corinto, como algumas igrejas atuais, deveria buscar o equilíbrio entre os dons espirituais e o fruto do Espírito.

Introdução:
Estamos iniciando mais um trimestre, e, desta feita, teremos a oportunidade de estudar a Epístola de Paulo aos crentes de Corinto. Embora essa carta tenha mais de 2000 anos, seu teor continua atual para a igreja. Os temas abordados admoestam quanto aos problemas que a igreja contemporânea enfrenta ainda hoje: falta de espiritualidade e compromisso com a Palavra de Deus, ausência da pregação da mensagem da cruz, partidarismos na igreja, imoralidade sexual, demandas judiciais entre os irmãos, desconsideração do casamento, pouca atenção à celebração da Santa Ceia, descuido quanto ao uso dos dons espirituais, falta de esperança quanto à ressurreição, carência de cuidados para com os irmãos mais necessitados, e, por fim, tudo isso se traduz no pouco cultivo do amor ágape. Na lição de hoje, a primeira do trimestre, trataremos a respeito da falta de espiritualidade genuinamente cristã da igreja de Corinto.

1. Corinto a Cidade e a 1ª Epístola de Paulo:
Corinto era uma esplêndida cidade comercial localizada ao sul do istmo de dezesseis quilômetros de largura que liga a Grécia central ao Peloponeso. O grego era a língua falada pelo povo e a cultura grega da qual o povo se orgulhava. O imperador Augusto fez de Corinto a capital da Acaia, que era governada por um procônsul (At. 18.12). Sua situação era de prosperidade o que atraiu grande multidão. No sudoeste da cidade antiga encontrava-se o monte Acrocorinto, numa altura de 574 metros, no qual fora construído um templo dedicado a Afrodite, a deusa do amor. Por isso, a cidade tinha uma moral pagã, corrupta, pautada no culto ao sexo. As competições também eram bastante comuns, não admira que Paulo tenha feito alusão aos prêmios dos atletas (I Co. 9.25). Paulo reconheceu nesse lugar um ponto estratégico para a difusão do evangelho. O Apóstolo chegou ali durante sua segunda viagem missionária, por volta de 50 d. C. Logo após a chegada, conheceu Áquila, um judeu nascido na província romana de Ponto, ao norte da Ásia Menor, e sua esposa Priscila (At. 18.2; I Co. 16.19). Após um ano e meio naquela cidade, Paulo partiu para outras missões, e, estando em Éfeso, durante sua terceira viagem missionária, escreveu uma epístola aos crentes de Corinto, que não nos chegou (I Co. 5.9) na qual ele aconselhava a evitar o companheirismo com pessoas imorais. Posteriormente, por volta do ano 55 d. C., Paulo escreveu uma outra carta aos crentes de Corinto, ainda Éfeso, a qual denominamos de Primeira Epístola aos Corintios.

2. Uma Igreja Fervorosa, mas sem Espiritualidade:
A igreja de Corinto era fervorosa, isto é, tinha os dons espirituais (I Co. 1.7), mas faltava-lhe a verdadeira espiritualidade, por isso, Paulo aqueles irmãos de carnais (I Co. 3.1-4). Semelhantemente a Igreja de Corinto, muitas igrejas atuais se encontram na mesma condição de muito fervor, mas de pouca ou nenhuma espiritualidade. Buscam os dons espirituais, falam muitas línguas, profetizam em todos os cultos, mas quando as pessoas saem da igreja, não dão um bom testemunho de fé professam dentro das quatro paredes do templo. Falta a esses crentes fervorosos o fruto da espiritualidade, pois é justamente através dos frutos que somos identificados como cristãos, não pelos dons espirituais (Mt. 5.13-16; 7.22). Os dons espirituais não refletem o nível de espiritualidade do cristão, na verdade, alguém pode ter dons espirituais, como acontecia com a igreja de Corinto, e mesmo assim não ser espiritual, agindo como meninos na fé (I Co. 14.20). Isso acontece porque os dons espirituais, em determinados contextos eclesiásticos, é visto individualmente, ou seja, não lhes é dado o valor coletivo que devam ter. Segundo Paulo, em I Co. 14.3-5,12,26, os dons são dádivas para a igreja, para o desenvolvimento, crescimento e amadurecimento do corpo de Cristo, não para alguém ostentar grandeza diante dos outros.

3. O cultivo da Espiritualidade Cristã na Igreja:
O contrário das obras da carne, uma característica dos crentes de Corinto, é o fruto do Espírito (Gl. 5.22) e nele repousa a verdadeira espiritualidade (v. 19). A base do fruto é o amor – ágape - (I Co. 13; Rm. 5.5; Ef. 5.2; Cl. 3.14), sendo este o sustentáculo dos demais elementos do fruto, os quais são:
Alegria – chara – baseada nas promessas e na presença de Deus (II Co. 6.10; 12.9; I Pe. 1.8);
Paz – eirene – quietude de coração e mente fundamentada em Cristo (Rm. 15.33; Fp. 4.7; I Ts. 5.23; Hb. 13.20);
Longanimidade – makrothumia – que não se ira com facilidade ou não se desespera diante das adversidades (Ef. 4.2; II Tm. 3.10; Hb. 12.1);
Benignidade – chrestotes – indisposição para magoar os outros (Ef. 4.35; Cl. 3.12; I Pe. 2.3);
Bondade – agathosune – expressa em atos de bondade (Lc. 7.3-50);
Fé – pistis – confiança constante e inabalável na Palavra de Deus (Mt. 23.23; Rm. 3.3; I Tm. 6.12; II Tm. 2.2; 4.7; Tt. 2.10);
Mansidão – prautes – moderação para submeter-se a Deus e ao próximo (II Tm. 2.25; I Pe. 3.15);
Temperança – agkrateia – domínio sobre os impulsos e paixões, disposição para a pureza (I Co. 7.9; Tt. 1.8; 2.5).

Conclusão:
Muitas igrejas são fervorosas – isto é – têm os dons espirituais, em algumas outras, até mesmo os dons já se foram. Para evitar tais extremos, o caminho bíblico é o do equilíbrio, não podemos desprezar os dons, mas é preciso, também, saber que eles, por si sós, não garantem espiritualidade. Uma igreja genuinamente espiritual busca, além dos dons, o fruto do Espírito. Uma igreja que busca apenas os dons pode acabar como a de Corinto, com muitos dons (I Co. 1.9), mas cheia de problemas e carnalidades (I Co. 3.1-4). O equilíbrio entre fervor e espiritualidade está no contato contínuo com o Espírito Santo, o qual produz em nós, e conosco, o Seu fruto (Gl. 5.22).

Dc. Luiz Carlos

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segunda-feira, 23 de março de 2009

Lição 13

A Despedida de um Lider

Texto Áureo: Js. 24.15

Leitura Bíblica em Classe: Js. 24.14-18

Objetivo:
Mostrar que Deus usa homens e mulheres obedientes à sua vontade e que estejam dispostos a servir, com toda a sua família, ao Senhor.

Introdução:
Na aula de hoje, veremos que Josué, ciente dos seus últimos dias na terra, se despede do povo. Antes, porém, chama a atenção de todo o Israel a respeito da fidelidade de Deus e dos grandes feitos do Senhor. Como conseqüência disso, reclama lealdade a esse mesmo Deus, convocando o povo para reafirmar o pacto com Aquele que os tirou da escravidão egípcia. Por fim, convida as famílias a estarem diante do altar, adorando-O como Deus e Senhor.

1. Josué Relembra a Fidelidade de Deus:
No capítulo 24 de Josué, temos o último discurso desse grande líder, realizado em Siquém. Josué aproveita essa oportunidade para trazer à memória do povo os grandes feitos do Senhor. Ele recorda a fidelidade de Deus através de uma retrospectiva da história de Israel. Aproveita também para reconhecer que Deus havia estado ao lado do Seu povo durante toda a caminhada (Sl. 145.13; Is. 41.10; II Co. 1.18; Ap. 19.11). Era necessário ainda que o povo renovasse o concerto com Deus. Por isso, deveriam escolher, não em outro, mas naquele dia, a quem desejariam servir (v. 14,15). É válido destacar que Deus não queria uma obediência forçada. Eles deveriam decidir se iriam servir ao Senhor ou aos outros deuses das nações vizinhas. A adoração a Deus não pode ser dividida com outro, pois a Sua glória não pode ser repartida, nós, como os israelitas, precisamos escolher, hoje, se iremos servir a Deus ou a Mamon (Mt. 6.24). Josué, como líder do povo, deu o exemplo, dizendo que ele e sua casa serviriam ao Senhor (v. 15).

2. O Memorial do Pacto é Levantados:
Em resposta à convocação de Josué, Israel reafirmou sua fé no Deus dos seus antepassados. Rogam, no versículo 16, que “nunca nos aconteça que deixemos o Senhor para servimos a outros deuses”. Reconheceram que Deus, e não eles próprios ou outros deuses, realizara as maravilhas em seu favor (v. 17). Josué destaca ainda que o povo deveria lançar fora os deuses estranhos (v. 23) e que não deveria quebrar, em momento algum, o pacto feito com Deus, pois, se assim o fizesse, as conseqüências seriam desastrosas (v. 20). Por três vezes o povo declarou “serviremos ao Senhor nosso Deus ...” (v. 24), ainda que, conforme sabemos pelos outros livros históricos da Bíblia, os israelitas seguiram o caminho da desobediência. Mas, naquele momento, eles levantaram um memorial, uma pedra do testemunho, como marco de renovação do pacto. É dito que Josué “pôs por estatuto e direito e escreveu estas palavras no livro da Lei de Deus; e tomou uma grande pedra e a erigiu ali” (v. 25,26) e acrescentou “esta pedra nos será por testemunho (v. 27). Ao final, o líder do Senhor despediu o povo e cada um deles retornou à sua herdade (v. 28). Josué, ao final da vida, é reconhecido como “servo de Deus” (v. 29,30) e não mais de Moisés (Js. 1.1). A duração da sua vida é de 110 anos, maior do que a maioria (Sl. 90.10) mais curta do que a de Moisés (120 anos, Dt. 34.7).

3. As Famílias Diante do Senhor:
No último sermão de Josué, é digno de destaque a posição que ele dá às famílias. Enquanto líder de Israel, propõe em seu coração servir ao Senhor juntamente com sua família (Js. 24.15). Nesses dias atuais, tão conturbados e nos quais as famílias têm sido ameaçadas por valores distanciados da Palavra de Deus, nós, como cristãos, devemos tomar a mesma atitude de Josué e levar nossas famílias ao altar do Senhor. Seguindo os conselhos do apóstolo Paulo, em Ef. 5.22-28 e Cl. 3. 18,19, os maridos precisam ser mais amorosos, e, se necessário for, sacrificarem-se por suas esposas, como o fez o próprio Cristo. As mulheres, por sua vez, devem ser mais submissas em amor aos seus maridos. Os filhos devam ser obedientes aos pais a fim de que tenham vida prolongada na face da terra, e os pais, por conseguinte, não devam levar seus filhos à irritação, antes admoestá-los no temor do Senhor. Não podemos esquecer que a saúde espiritual da igreja, e por que não dizer, da sociedade como um todo, depende da adequada formação familiar. Recorrendo a uma metáfora biológica, a família é a célula da sociedade, quando ela adoece, o corpo inteiro padece. Por isso, despertemos para uma vida familiar consagrada a Deus, através do exemplo e do amor, da realização de cultos domésticos, da adoração e estudo da Palavra de Deus.

Conclusão:
Concluímos mais uma lição neste trimestre, e, ao longo desses últimos meses, o Senhor nos possibilitou o estudo do livro de Josué. Esperamos que Deus tenha despertado várias pessoas com o coração desprendido para servir como fez Josué. Em especial, nesta última aula, aprendemos o valor de não esquecermos das grandes coisas que o Senhor tem feito por nós (Sl. 126.3), e, em particular, da importância de cuidarmos das famílias a fim de que essas estejam sempre no altar, adorando ao Deus que nos libertou do cativeiro do pecado (Ef. 1.7; 2.1,2).

Dc. Luiz Carlos

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terça-feira, 17 de março de 2009

Lição 12

Preservando a Palavra do Senhor

Texto Áureo: Js. 24.14

Leitura Bíblica em Classe: Js. 23.1-6

Objetivo:
Mostrar que a preservação da palavra do Senhor traz vida e saúde para o povo de Deus.

Introdução:
Na aula de hoje, estudaremos a respeito da importância de preservar a Palavra do Senhor. Essa é uma necessidade urgente nos dias atuais, marcados pela falta de sólida formação bíblica nas igrejas evangélicas. Veremos, inicialmente, como Josué, um líder comprometido com a Palavra, expôs os decretos do Senhor ao povo israelita. Em seguida, mostraremos como a falta de compromisso com a Palavra de Deus leva o povo à corrupção. Por fim, destacaremos a necessidade da preservação da Palavra a fim de que tenhamos igrejas que gozem de vida e saúde espiritual.

1.Josué Expõe a Palavra de Deus:
Josué se encontrava próximo da morte quando resolveu convocar todo o povo para ouvir a Palavra do Senhor.A preocupação inicial desse líder era com o esquecimento que esse povo viesse a ter em relação às suas origens. Por isso, ressaltou que “o SENHOR, vosso Deus, é o que pelejou por vós” (Js. 23.3). A prosperidade pode levar as pessoas a pensar que são auto-suficientes que não mais precisar da intervenção divina. Por isso, Josué instrui o povo, com uma mensagem esclarecedora, para que viesse a se associar às nações idólatras vizinhas, servindo aos deuses daqueles povos (Js. 23.7). Eles deveriam ser santos para agradar ao Senhor em todas as circunstâncias da vida, atentando, a todo instante, para fazer o que estava escrito no livro da Lei de Moisés (Js. 23.6). Essa obediência, no entanto, não deveria ser forçada, mas em amor (v. 11), pois somente no amor podemos de fato obedecer à Palavra do Senhor. O amor é resultando de um relacionamento contínuo com Aquele que nos chama para andar com Ele. Caso contrário, o resultado de uma vida distanciada dos caminhos de Deus será à condenação (v. 23), a menos que nos arrependamos enquanto é tempo (I Jo. 1.9), reconhecendo que Jesus é o Advogado que por nós intervêm (I Jo. 2.1).

2.Por Falta da Palavra o Povo se Corrompe:
Em Pv. 29.18 está escrito que por ausência de ensinamento profético o povo acaba se corrompendo. Josué sabia dessa verdade, por isso, convocou todo o povo de Israel para que ouvisse a Palavra do Senhor. Infelizmente isso não é o que acontece em muitos contextos eclesiásticos hoje em dia. Ao invés de conduzir o povo para a Palavra de Deus, alguns líderes, a fim de aumentar o número de adeptos, investem maciçamente em marketing ou coisas do tipo. O resultado é o que temos testemunhado no “crescimento” evangélico no país. Diferentemente de Paulo, muitos cristãos não sabem no que têm crido (II Tm. 1.12), não passam de massa de manobra, se deixam levar por qualquer movimento que surge. A maioria desses “crentes” não desenvolve o genuíno caráter cristão, resultante do fruto do Espírito (Gl. 5.22). Preferem seguir as “ondas da moda” e caminham léguas atrás de seus ídolos “evangélicos”. Essas pessoas fogem da exposição da palavra de Deus, dizem ser cansativa, não têm qualquer vergonha de afirmar que dormem no culto quando a palavra é pregada. Conforme antecipou o apóstolo Paulo, têm comichão nos ouvidos diante no ensinamento bíblico. Por isso, buscam “pastores” conforme agrado deles (II Tm. 4.3). Tais "pastores" enchem suas “igrejas” de “fiéis”, haja vista transformarem seus "cultos" em mera animação, perdendo, em alguns casos, para os programas televisivos de auditório. Nesses dias cruciais para a fé cristã no Brasil, precisamos retornar à Palavra de Deus. É hora de, como Josué e Esdras, convocar todo o povo para a oração e para a leitura da Bíblia (Ed. 7.10). Se não fizemos assim, o resultado será a corrupção espiritual pela qual muitas igrejas já passam.

3.Preservando a Palavra do Senhor:
Como líderes espirituais, precisamos separar, no culto, tempo suficiente para a exposição da Palavra de Deus. Todo tempo possível deve ser reservado para que a Palavra de Deus seja pregada. Para tanto, os seminários e escola bíblicas devem ser estimuladas. A Escola Bíblica Dominical deve sempre ter proeminência nos trabalhos da igreja. É uma pena que em determinadas igrejas ela tem sido relegada a segundo plano. Qualquer “festinha” é motivo suficiente para retirar o horário do estudo da Escola Dominical. A seqüência das lições da EBD precisa ser preservada, de modo que não haja interrupção do tema estudado no trimestre. Os clássicos cultos de ensinamento (ou de doutrina) também precisam ser estimulados e devem servir ao propósito para o qual foram destinados, à instrução na Palavra de Deus. Os seminários teológicos, ao invés de serem criticados, devem ser estimulados, contanto que estejam em conformidade com a ortodoxia bíblica. O estudo bíblico, em casa, na igreja ou num seminário não esfriará a fé dos crentes, na verdade lhes dará o fundamento necessário para enfrentar evangelizar, ensinar e, sobretudo, viver melhor para o Senhor. O crente verdadeiramente espiritual é aquele que tem equilíbrio, que busca, ao mesmo tempo, tanto o estudo quanto a oração. Muita oração e o pouco estudo conduzem ao fanatismo, por outro lado, o muito estudo sem oração leva ao mero intelectualismo.

Conclusão:
Como Josué, devemos amar a Palavra de Deus, ela deva ser, como diz o Salmista (Sl. 1.1), nossa meditação dia e noite. Josué era sabedor dessa verdade, pois quando fora escolhido, o Senhor advertiu para que ele não se apartasse do livro da lei (Js. 1.8). Que o livro de Deus seja aberto em nossas igrejas, que o lugar reservado à Palavra de Deus seja preservado e não reduzido. Se assim não o fizermos, o resultado será a corrupção geral do povo. Portanto, quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas (Ap. 2.29).

Dc.Luiz Carlos

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Palavra do Coordenador - Parte I

A Impotancia da Educação Cristã.
Programa pedagógico que, tendo por base a bíblia, visa ao aperfeiçoamento espiritual e moral dos que se declaram cristãos e daqueles que venham a entender o chamado do evangelho de Cristo.
É evidente que educação cristã é muito mais que isso, na pedagogia divina ela é um processo contínuo que envolve o ser humano integramente (espirito, alma e corpo), levando-o a desenvolver a mente, seu aspecto emocional para que entenda a sí mesmo e recupere sua auto-imagem dentro do contexto em que estamos inseridos. Ela ainda contempla o nosso homem interior, nosso lado espiritual que é o mais beneficiado com esse processo.

Ev.Rogerio Lobo

Palavra do Coordenador - Parte II - Para os Professores

Amados,
olhar para uma classe da escola dominical sob a perspectiva da evangelização é simplesmente uma experiência fantástica.
O potencial da classe para ganhar almas é tremendo.
Uma classe pode estruturar um trabalho para alcançar pessoas de sua faixa etária e pregar-lhe a palavra de DEUS .
Isso pode ser feito de várias maneiras.
DEUS, conta com você professor.

Ev. Rogério Lobo